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8 de jan. de 2022

Livro de Nascimento de 1944 - Da Fabricação aos Dias Atuais

 Relatório "O LIVRO A-3"

Da Fabricação aos Dias Atuais

Este livro foi fabricado por volta de 1940, Feito em papel CORU BOND, da incipiente e atrasada indústria brasileira de papel, por uma fábrica no Vale do Paraíba por um certo Dr. Cícero Prado, jovem advogado recém formado que em 1911 compra a Fazenda Coruputuba, em Pindamonhangaba, São Paulo. Conto sobre isso neste blog: http://cuidardolivro.blogspot.com/2012/11/coru-bond.html

Devido a grande quantidade da palha de casca de arroz disponível o Dr. Cícero Prado compra máquinas usadas de uma indústria da Alemanha e funda uma fábrica de papelão em 1927, produzindo de 400 à 500 quilos por dia. A partir daí, mais quatro máquinas foram instaladas, produzindo cartolina de várias qualidades, papel tipo Kraft, papel pergaminho em vários padrões, papel fosco, papel impermeável, além do célebre produto "Coru-Bond".

Cada uma das folhas deste livro apresenta a MARCA D’ÁGUA, ainda visível se olhado contra a luz, com um escudo: Um vale com o rio Paraíba cercado de montanhas e a inscrição "Ind. Bras. Coru-Bond".

Com a matéria prima casca de arroz, o resultado é uma fibra muito curta e a cola usada na massa era altamente volátil. O resultado é evaporação em curto prazo e muita oxidação, daí a razão para que um livro feito a partir desse material esteja tão escuro, quebradiço e ressecado apesar de ser de 1940. Isso ocorre principalmente em livros da região de São Paulo. Tenho trabalhado em livros de 1900, com papéis ingleses, italianos e mesmo papéis feitos no Brasil na mesma época, como o Westerpost , em estado de elasticidade ainda aceitável e com pouca oxidação.

Segundo me foi relatado, este livro passou por duas enchentes, apresentando como prova marcas de barro nas laterais e a tinta do texto bastante diluída.

Oferecido para "restauração" pelo Cartório da cidade de Pedro Osório-RS, em 25 de Novembro de 2021, com trezentas folhas no formato 40,2 cm por 27,0 cm, tinha TODAS as folhas soltas e apenas vestígio da contracapa.

Todas as folhas estavam com os cadernos desfeitos e as folhas separadas. 100% das folhas apresentavam mutilação em todos os graus. Cerca de 70% das folhas faltando partes essenciais, sem fragmentos disponíveis para recomposição, com grande perda de material nas quatro margens. Outras 20% com as laterais rasgadas e enroladas. Cerca dos 10% restantes ainda intactas mas apresentando rasgados e fissuras nas laterais e partidas no meio. Todas sofreram interferência em algum grau.

Para reparo do livro, visando cessar a perda de fragmentos, proteger o material restante e permitir o manuseio cotidiano, SEM COBRIR O TEXTO, foram utilizados diversos materiais como:

- sulfite 65 gramas para laterais e áreas extensas sem texto;

- papel vegetal (manteiga) 45 gramas para as laterais com texto, para as laterais em geral e para re-unir as folhas;

- papel de seda e papel de arroz em ambos os lados de rasgados com texto;

- papel sulfite 120 gramas para um caderno em branco no começo e outro no fim do livro.

Com esta finalidade e com estes materiais as folhas foram reparadas, depois unidas para formar cadernos de dez folhas cada novamente e estes cadernos costurados, resultando no MIOLO do livro acabado. Em seguida, feita a capa com acabamento em couro fino que permite abertura suave e tela de tecido marmorizado. Fiz uma caixa sob medida para proteger o livro da umidade e da poeira, mantendo suas folhas mais unidas.

É importante considerar que este é um LIVRO MUITO FRÁGIL.

 As folhas permanecem quebradiças e não resistem ao manuseio descuidado.

Não faça pressão sobre as folhas. Até escrever nelas pode partir e rasgar.

Não folheie segurando pelas pontas. Escolha a folha desejada e abra sem segurar as folhas.

Curitiba, 8 de Janeiro de 2022.

Pedro Malanski









21 de mar. de 2017

Onde Comprar Material de Encadernação

Desventuras de um encadernador
na busca de material de trabalho em Curitiba.

A cada dia que passa, minha cidade fica menor.
Largo da Ordem
Aquarela do Barbetta

Cada vez que fecha uma empresa.
. 
Cada vez que vou comprar meu material de encadernação e aquela empresa não vende mais.

E assim Curitiba vai ficando cada vez menor.


Aconteceu com o papelão Coru. Feito de casca de arroz, tem muito mais densidade e rigidez do que o papelão cinza ou do que o papelão feito de material reciclado que está dominando o mercado. Aliás, esse papelão poroso e mole não deve ser realmente reciclado, mas papelão de baixa qualidade que se diz reciclado.

Sempre esteve à venda em todas as gramaturas na Casa do Sapateiro. Hoje só encontro os mais finos, usados para fazer bolsas.

Curitiba não tem um local onde comprar todos os materiais de encadernação, assim é preciso comprar cada um em um lugar diferente.

Papéis é na Santa Maria Distribuidora, que vende a granel e guilhotina se for preciso. Tem quase tudo em papéis no formato 66 x 96 cm, papelões comuns e algumas colas para gráfica.

Tecido em algodão cru para fazer tela e marmorizar, agora só tem na Rua Bley Zornig, lá no Boqueirão. Antes, encontrava retalhos a quilo nas casas de couro da Rua Dr Muricy, hoje só por metro e mais caro.

Colas tem que comprar em casa de tintas ou de materiais de construção, limitado a usar a cascorez extra em embalagem de um quilo, por ser a única de acidez tolerável. Ultimamente, estou pagando dezenove reais pela embalagem de um quilo na Tintas Virgínia. O preço é menor do que em qualquer outro lugar.

Fitas para reforço externo na dobra folha de guarda, encontro em uma ou outra loja de armarinhos.

Não tem nenhum lugar para comprar espátulas de osso ou de silicone. Quando encontro, só uma ou outra de silicone em loja de material de artesanato. Mas são caras, desconfortáveis e grosseiras, umas coisas quadradas e grossas, indicadas para finalidades diferentes da encadernação.

Couros, se tiver sorte e oportunidade, nas casas de couro da Rua Dr Muricy. Como a sorte é madrasta, raramente encontro o couro que procuro e preciso me contentar com aqueles disponíveis. Bom mesmo é comprar um couro flexível, fino ou grosso, que não parta nem escame e que aceite bem a cola branca. Só em dia de sorte. Assim, cada couro é um novo aprendizado de como trabalhar.

Nestes mesmos lugares, encontro fios para  costura. Linha de três fios encerados, de preferência. A Casa do Sapateiro voltou a vender papelão coru, em gramatura fina, vendido por quilo.

Vulcapel, só e unicamente na casa de couro do Schmuk, por enquanto.

Cera de abelha para encerar os fios de costura e às vezes passar em papéis tomados por fungo, só numa lojinha de materiais de construção ali na Mateus Leme. Já foi-se o tempo de comprar na Casa Vermelha ou no Senff Ferragens.
Arranjei uma cera boa na Feira de Inverno da Praça Osório, nas barracas que vendem mel.

Lembrei agora que já faz uns vinte anos que deixei de usar cola orgânica, aquela feita de gelatina animal e usada em banho-maria, por ter desaparecido inteiramente de todas as lojas de Curitiba. A última que encontrei, justamente no Senff ali atrás da Catedral, estava tão suja e contaminada que os livros ficaram com cheiro de podre.

E não adianta nem perguntar se tem Alvaiade. Ninguém mais sabe o que é ou para quê serve. É um espessante usado até por Da Vinci, misturado com gelatina e outras coisas, para fazer suas telas de pintura.

Fita para douração é um parto. Só havia a Personalizze, ali no Rebouças, mas fechou (Fechou coisa nenhuma, está no mesmo lugar e agora mesmo voltei de lá com a fita de ouro que eu precisava!) Estou com esperança de encontrar numa empresa ali na Mateus Leme, a Tegape,  e amanhã vou procurar. Se não encontrar, não sei a quem recorrer. (Eles tem só o rolo de 60 centímetros de largura, todas as fitas com fundo prata, mas atendem que é uma beleza e não servem para o meu trabalho).

Isso tudo sem falar de onde encontrar ferramentas de encadernação em Curitiba. Simplesmente ninguém sabe sequer o que é um brunidor, não existe estilete largo com guia de metal, só tem lâminas quebradiças da China...   

E assim ficamos. Cada dia menores em Curitiba.

5 de fev. de 2017

Valor Histórico e Artístico do Livro Oficial

O Valor Histórico e Artístico do Livro Oficial

Afirmação:

O livro Oficial tem suficiente valor histórico e artístico para ser elevado à categoria de Patrimônio Histórico!

Justificativas:

Os livros oficiais são aqueles preenchidos e guardados pelos Cartórios Civis ou de Registro de Imóveis e neles são oficializados os atos ocorridos na vida civil de todos os cidadãos.

São os livros de Nascimento, Casamento, Óbitos, Escrituras, Procurações, Averbações e tantos outros, que retratam fielmente a história dinâmica de nossa Sociedade.

Através deles, é possível refazer a história de cada indivíduo, traçando a trajetória precisa de sua vida. Seu nascimento, casamento, operações comerciais, problemas pessoais, conflitos e litígios, associações, seu falecimento e o destino de seus bens. Todos os atos são verdadeiros e incontestáveis, pois foram cercados de todas as formalidades que a Lei exige e sobre eles não há controvérsia.

O mais antigo livro data de 1888, data da proclamação da República no Brasil. São exceções a esta regra os livros de "acathólicos", ou seja, pessoas de outras religiões que não a católica, preenchidos em Curitiba pelo Presidente da Província antes de 1888, enquanto os demais livros eram atribuição da Igreja Católica.

Com o evento republicano, os primeiros Cartórios, mais antigos, herdaram os livros de acatólicos e passaram a cuidar de todos os outros.

Além de guardar informações históricas, os livros deste período tem atributos e características únicas. Eram feitos a partir de papéis de alta qualidade e resistência, em sua maioria. Pois, naqueles dias, usava-se papel feito com árvores nobres como, cedro, pinheiro e mogno, então abundantes nas florestas naturais. Produzir papel com essa matéria prima resultava em um produto com fibra longa, resistente ao manuseio e à passagem do tempo. Além disso, têm a estética própria de seu tempo.

A técnica de encadernação não era perfeita, se utilizados critérios clássicos para julgamento. Era apenas a "encadernação comercial" praticada na época e utilizava razoáveis métodos de costura manual ou mecânica e muito couro, percalina e outros acabamentos resistentes. Um detalhe especialmente danoso para a conservação desses livros é a técnica de "meia-cana", que consiste em fazer a lombada falsa em forma de meia lua rija, para forçar a abertura completa do livro como uma alavanca, permitindo manuscrever com a folha completamente plana. Como força as costuras, acaba por rompe-las. 

Este livros trazem a marca do tempo em que foram produzidos, muitos materiais hoje extintos, marmorizações, técnicas fora de uso, dourações primorosas, nervuras e brasões, curiosas etiquetas de fabricante e grafias especiais.

Este conjunto de características retrata e exprime seu próprio período na história.

Muito mais do que documentos oficiais para consulta, verificação e base para emissão de certidões, os livros oficiais são Documentos Históricos.

A responsabilidade por sua guarda e preservação devia ser compartilhada com o Estado, sua existência catalogada e registrada e seu uso fiscalizado para que suas características originais sejam mantidas ou conservadas.

Esta é minha Tese.


Várias fases de encadernação.

8 de nov. de 2016

Carta ao J. D. Salinger

Carta pro J. D. Salinger

Caro Jerry Salinger


Como sei que você continua antenado com o que acontece em seu nome pelo Mundo, vou mandar pro astral da internet um recado prá voce ler.


Fique de boa. Não vou encher muito seu saco, cujo saco todo mundo sabe já encheu faz tempo.


Andam dizendo por aqui que você foi importante demais por ter sido o primeiro a por no papel impresso a voz da juventude  norteamericana. E isso é só o que falam de bom.


Dizem também que voce era um pedófilo sofisticado e que inspirou meia dúzia de mass murder. Que A Guerra te deixou tão travado na adolescência que nunca amadureceu e se tornou homem. Que nunca mais escreveu nada de bom e que, na melhor  das hipóteses, tinha uns parafusos de menos na cabeça.


Não vou dizer que te entendo. Mas, se no seu tempo já era difícil ser um INDIVÍDUO, voce não imagina o quanto hoje isso é impossível, penoso e tudo mais.


Aqui tá foda!


Andei pensando em voce ao dar uma  encadernada no The Catcher in the Rye.


Tenho o livrinho faz tempo e tava bem baleado. Aí juntei mais umas informações, dei uma consertada e encadernei.


Me deu a idéia de fazer a capa com um couro preto para representar o abismo e outro couro claro amarelinho para o campo de centeio, entende?


Para a ilustração, fiz aqueles bonequinhos de papel de mãos dadas, conhece?  Cortei em papel grosso e prensei no couro claro ainda úmido de cola. O negócio é para ficar parecendo um bando de crianças à beira do abismo. Ficou mais ou menos.


Fico pensando que é o que acontece hoje aqui: A gente indo pro buraco todo mundo junto, ainda cantando alguma musiquinha meio besta, de mão dada e tudo.


Tá bom! Gosto mais da metáfora do abismo como lugar onde sacrificamos nossa inocência e Holden nos socorre se tivermos sorte.


Agora o título.


“O Apanhador no Campo de Centeio”, prá mim, é uma merda de título apesar de voce ter aprovado, dizem. Mas é melhor do que no português de Portugal: “Agulha no Palheiro”. E muito melhor do que a proposta dos tradutores brasileiros “A Sentinela do Abismo”, bem no estilo pomposo-meloso que todo mundo curte por aqui.


Então mandei ver só “THE CATCHER”.


O livro é meu, o trabalho é meu. Mas te dou essa satisfação,  se por via das dúvidas voce ainda estiver de olho nas coisas por aqui.

Fique na tua aí.

Seu admirador,


Pedro Malanski


Fotos  da encadernação 


Folha de Guarda com marcador do mesmo papel


Capa da segunda edição brasileira


Capa da edição especial em capa dura


Foto da contracapa das primeiras edições americanas
mandou retirar das seguintes 


Última foto conhecida de Salinger, em 2008




E É ISSO.

Frases de J. D. Salinger

It was that kind of a crazy afternoon, terrifically cold, and no sun out or anything, and you felt like you were disappearing every time you crossed a road.

I used to think she was quite intelligent , in my stupidity. The reason I did was because she knew quite a lot about the theater and plays and literature and all that stuff. If somebody knows quite a lot about all those things, it takes you quite a while to find out whether they're really stupid or not.

Pomba, só porque uma pessoa morreu não quer dizer que a gente tem que deixar de gostar dela... Principalmente se era mil vezes melhor do que as pessoas que a gente conhece e que estão vivas e tudo.

As pessoas sempre batem palmas pelas coisas erradas.

O homem imaturo é aquele que quer morrer gloriosamente por uma causa. O homem maduro contenta-se em viver humildemente por ela.

Trecho final de "Um dia Perfeito para um Peixe Banana"

"If you want to look at my feet, say so," said the young man. "But don't be a God-damned sneak about it."
"Let me out of here, please," the woman said quickly to the girl operating the car.
The car doors opened and the woman got out without looking back.
"I have two normal feet and I can't see the slightest Goddamned reason why anybody should stare at them," said the young man. "Five, please." He took his room key out of his robe pocket.
He got off at the fifth floor, walked down the hall, and let himself into 507. The room smelled of new calfskin luggage and nail-lacquer remover.
He glanced at the girl lying asleep on one of the twin beds. Then he went over to one of the pieces of luggage, opened it, and from under a pile of shorts and undershirts he took out an Ortgies calibre 7.65 automatic. He released the magazine, looked at it, then reinserted it. He cocked the piece. Then he went over and sat down on the unoccupied twin bed, looked at the girl, aimed the pistol, and fired a bullet through his right temple.
J. D. Salinger

20 de out. de 2013

Encadernação em Curitiba dos anos 1880

A importância da indústria da encadernação no século 19 só é possível de ser avaliada se hoje compararmos com a indústria de telecomunicações, a internet e as grandes corporações de entretenimento. A indústria gráfica era a principal forma de comunicação, entretenimento e educação desde o desenvolvimento dos tipos móveis por Guttenberg, até o surgimento do rádio.

Eram centenas de fábricas de papel feitos a partir de matéria prima obtida das florestas virgens, com exploração indiscriminada de madeiras nobres. Hoje crime ecológico, resultou em papéis de fibras resistentes e duráveis que desafiam o efeito do tempo, muito diferente do pobre papel de pinus cultivado usado atualmente.

Eram milhares de lojas que vendiam material gráfico e tipográfico, para essa meio de divulgação que tirou a humanidade da ignorância da Idade Média até desembocar na sociedade tecnológica que vivemos.

Em Curitiba, encontrei duas marcas de vendedores e mostro aqui mesmo.

Um "A Pendula Meridional" de Luiz Coelho, encontrado num livro de 1885:


Outro, Encadernação J. Chrispim, de um livro de 1883:


12 de dez. de 2012

Magister Paper

Magister Paper
Sublime
Westerpost

 Encontrei esta marca d'água num livro de 1925.

É muito rebuscada e com diversas informações.

A marca "I. N.A." , o nome "Magister Paper" e a data "1913", elemento que nunca vi em outros papéis.

Além disso, um conjunto quase heráldico, com uma flor de lis, um escudo e a repetição do INA em letras elegantes.

Quase aos em anos de fabricação, o papel apresenta acentuada oxidação, estando bem amarelado, mas ainda conserva elasticidade e não está ressecado.

Pesquisei sem sucesso sobre esse fabricante, mas registro aqui sua existência.





*   *   *   *   *   *   *
Sublime

Outra marca d'água que encontrei em um livro que estou restaurando, de 1916, é a marca Sublime, seguida do brasão  BTH.
Apresenta-se com boa elasticidade e quase branco. Essa folha é a folha de rosto do livro, porisso apresenta manchas castanhas formadas pela gordura de dedos que a manuseram.
 


*   *   *   *   *   *

WESTERPOST

Mais um, de um livro também de 1916, um exemplo de papel brasileiro de alta qualidade, ainda com boa elasticidade e com amarelamento semelhante aos melhores papéis fabricados na mesma época na Europa, é o famoso Westerpost, numa marca d'água simples e direta, com a inscrição Indust. Brasil., sem nenhuma ilustração.




S. O. R. & Co

Livro fabricado por volta de 1920, talvez pela indústria britânica.
Adicionado em 24 de Agosto de 2023.
Tem a figura de um gato, uma prensa, três livros fechados e um aberto.







27 de nov. de 2012

Coru Bond

Esta é a marca d'água do fabricante do papel Coru Bond

Feito em papel CORU BOND, da incipiente e atrasada indústria brasileira de papel, por uma fábrica no Vale do Paraíba, fundada em 1911, por um certo Dr. Cícero Prado, jovem advogado recém formado que compra a Fazenda Coruputuba, em Pindamonhangaba, São Paulo.


A terra é pobre, coberta por guamirins e barba de bode e a parte baixa é dominada pelo Rio Paraíba. Foram precisos vários quilômetros de dique para domar o Rio e iniciar uma das primeiras plantações de arroz do Vale do Paraíba.

Devido a grande quantidade da palha de casca de arroz o Dr. Cícero Prado funda uma fábrica de papelão em1927, produzindo de 400 à 500 quilos por dia. A partir daí, mais quatro máquinas foram instaladas, produzindo cartolina de várias qualidades, papel tipo Kraft, papel pergaminho em vários padrões, papel fosco, papel impermeável, alem do célebre produto "Coru-Bond"... 

Com a matéria prima arroz, o resultado é uma fibra muito curta e a colas usada na massa eram altamente voláteis. O resultado é evaporação em curto prazo e muita oxidação, daí a razão para que um livro feito a partir desse material esteja tão quebradiço e ressecado apesar de ser de 1950. Isso ocorre principalmente em livros da região de São Paulo. Tenho trabalhado em livros de 1900, com papéis ingleses italianos  e mesmo papéis feitos no Brasil na mesma época, como o Westerpost , em estado de elasticidade perfeito.

Papelão "couro" Agropel
Em mais um exemplo de como uma palavra pode ser corrompida, sendo esquecida sua verdadeira origem, atualmente é fabricado um papelão denso, de cor castanha que é chamado de PAPELÃO COURO, utilizado principalmente como estrutura de pastas, bolsas e malas, na Indústria de calçados, vidraçarias, Indústria de bolsas, Indústria moveleira, Indústria de bebidas, Indústria de fogos de artifício e Indústria têxtil. É fabricado principalmente com casca de arroz.

Evidentemente não é fabricado a partir do couro, mas, originalmente chamava-se PAPELÃO CORU.

Há outro post sobre marca d'água neste blog.    



21 de ago. de 2012

Papel Al Masso

Al Masso

Linen Ledger 

A marca do fabricante de papel Al Masso tornou-se sinônimo de certo tipo de papéis pautados vendidos em folhas soltas aqui no Brasil.

É até hoje indicado principalmente para trabalhos escolares, 

O mesmo processo de substantivação de nome próprio aconteceu com outros produtos pioneiros que dominaram o mercado de consumo, como rinso para todo sabão em pó, modes para todo absorvente íntimo, gilete para todas as lâminas de barbear, brâma para todas as cervejas, entre outros exemplos.

É chamado de "almaço" nos dicionários modernos, que muito erroneamente justificam como originado de "a lo maço". Cito o iDicionário Aulete e copio: [F.: Da loc. port. ant. a lo maço, referindo-se ao modo com que é feito.]. É a corrupção da origem da palavra, com o "Ç" aportuguesando definitivamente o termo.  

O papel que contém esta marca d'água "FIUME" que é o tipo, e "AL MASSO" que é a marca do fabricante, com linhas verticais e ranhuras horizontais,  faz parte de um livro que estou restaurando. É datado de 1908, mas o papel deve ter sido fabricado algum tempo antes.




Tendo mais de um século, ainda apresenta boa cerosidade, boa elasticidade e apenas uma leve oxidação generalizada sem manchas. Tem resistido bem ao processo de evaporação natural da celulose.
  
Numa rápida busca na internet, encontrei apenas referências a esse papel, principalmente na descrição de gravuras e documentos antigos, com descrições de escritos sobre esse suporte de Biron e Shelley datados de 1790.


Script: Arabic. Physical Description: Paper: Cream~colored European paper is used. The watermarks include the words of. Al Masso (p.l )1 and FIUME (p.21).

Bonhams 1793 : BYRON (MAJOR GEORGE GORDON DE LUNA ...
grandmotherly and most impartial paper could not ... address panel and red wax seal on verso, paper watermarked 'Al Masso', ...

tortue, Papyrus, parchemin et papier. Le document .... 300mm, com linhas de marca d'água verticais e a identificação do tipo de papel: “AL MASSO”. Marcas de ...

Papel branco; 210 X 304 mm. Tinta sépia e aguadas a cores. Bom. Contramarca da primeira metade do séc. XIX (c.a 1830), com a legenda: «AL MASSO», que ...  

O fabricante é italiano? Pois "fiume" é "rio" nesse idioma.


Regent Linen Ledger

Outro exemplo de marca d´água, como o encontrado num livro de 1929, traz uma coroa e a marca Regent Linen Ledger.


Na pesquisa direta, não consta da relação de marcas d´água de fabricação Americana, encontrada neste link, mas segue um mesmo padrão de denominação "linen ledger", comum em muitos fabricantes.  

Linen Ledger - Profile

Outra marca, de uma série de livros datados de 1921. trazem a mesma inscrição "linen ledger" com a palavra "profile".

 

30 de mar. de 2012

O Mundo Reciclado

Houve uma época na história econômica da humanidade denominada de “Revolução Industrial”, quando as primeiras inovações técnológicas surgiram como resposta à crescente demanda por bens e serviços.

O pequeno tecelão fiava algumas peças de roupa por mês, mas as pessoas queriam comprar mais. Então vieram as máquinas de fiar, movidas a força humana e depois a vapor e depois pela eletricidade.

Na indústria livreira, os livros eram produzidos para poucos, manuscritos ou impressos com estampas fixas. No início do processo de industrialização do livro, com a utilização de tipos móveis, ospapéis eram feitos com tecido de algodão ou seda. O resultado era folhas resistentes, que não amarelavam ou rasgavam. Sobrevivem livros dessa época até hoje, apresentando-se completamente brancos e íntegros, invulneráveis a pragas.

Livros populares começaram a surgir. Eram baratos, feitos de massa de celulose. Apesar de feitos de massa de madeiras nobres ainda abundantes e baratas obtidas nas florestas da África e das Américas, não conseguiam cativar a atenção da classe burguesa emergente.

Mundo antigo e mais vulnerável às doenças, foi seduzido por uma mentira. Surgiu o boato de que os bons e resistentes livros feitos com fibras de tecido eram feitos a partir de… BANDAGENS USADAS DOS HOSPITAIS!

O resultado foi imediato, acabando com os papéis de tecido e abrindo espaço para os livros de celulose.



Hoje em dia, há uma glamurização do papel reciclado. Pessoas de bom gosto escolhem e pagam mais caro por papéis com cara de artesanal, feitos sabe-se lá do que.

Meus livros só foram árvore. Meus couros só foram cabra e boi. Não reciclo, reaproveito.

Nessa sociedade consumista, fabrica-se com duração programada. Steve Jobs foi o grande profeta do deus Obsolescência Programada.



Celulares e câmeras são fabricadas com pré-determinado número de ligações e fotos. Se acabou, não tem conserto.

Todo ano troca de agenda, de livros didáticos, de vade-mecuns e outros livros jurídicos efêmeros e cadernos escolares abandonados pela metade.

Não recicle, reaproveite para sempre, use até o final.

22 de mar. de 2012

Santa Wiborada, santa dos encadernadores

◊Lido “A Galáxia de Gutemberg”, de Marshall McLuhan, ficaram algumas curiosidades sobre livros em geral. Uma que me lembro com estranheza é que pessoas que lêem muito ficam com dor de garganta, pois os músculos involuntários da garganta se movimentam como se estivéssemos recitando.

◊Explica que até lá pelo século XIV a leitura era apenas em voz alta. Os livros eram escritos para serem recitados, com regras, ou ausência das regras de pontuação, então vigentes que respeitavam a respiração do orador, a salivação e a entonação apropriada. Por isso os monges se isolavam em celas: para fazer suas leituras sem atrapalhar o próximo. Com o advento da vulgarização da leitura, veio a “leitura silenciosa”, quando as pessoas passaram a ler para si mesmas. Nos anos sessenta, ainda era assim que as professoras se referiam ao ato de cada um ler suas lições em sala de aula.

◊Curiosidades sobre livros, como essas, servem para aprimorar nossos conhecimentos, pois, após a Educação vem a Sofisticação, ou seja, o refinamento, a sintonia fina que diferencia das pessoas educadas em massa.

◊Um livro cheio dessas extraordinárias informações diferenciadoras, com pérolas preciosas de deliciosa cultura é o “Historia General del Libro Impreso” de Rosarivo, feito para um congresso de indústria gráfica da Argentina em 1964, que está escrito assim na folha inicial: “M.DCCCCLXIIII”, o que não constitui um erro, como a princípio julguei, mas uma forma especial de escrever em caracteres romanos, comum em livros do século XIV.

◊Introduz com a história da padroeira dos encadernadores e, por extensão, dos bibliófilos: Santa Wiborada.

◊Era Bibliotecária do Monastério de Saint Gall, segundo alguns, ou monja que trabalhava nas oficinas de encadernação, segundo outros e mais provável, enfrentava a ameaça de bárbaros que marchavam sobre a cidade e iriam passar sobre o monastério saqueando e queimando, até encontrar as muralhas da cidade. Os monges já estavam fugindo aterrorizados, mas ela os convenceu a esconder as obras, enterrando-as nas valas defensivas da cidade. Passaram aquele dia 1 de maio de 925 e a noite que o seguiu pondo os preciosos manuscritos em local seguro. Os bárbaros húngaros chegaram, arrasaram o monastério e avançaram sobre a cidade fortificada. Após três dias de luta sangrenta, foram repelidos. Foram encontrar Wiborada mutilada e morta, jazendo sobre o local onde haviam enterrado os seus preciosos livros.

◊Depois de penar para encontrar referências sobre ela, pedi ajuda ao sítio Cadê meu Santo e esses caras absolutamente rápidos e prestativos me mandaram texto e foto, com preciosas informações. Confirmaram o nome, que pensei de início ser uma argentinização, era também chamada Guiborath e/ou Weibrath. Que era encadernadora e profetiza, sendo atribuído a ela profecia sobre a chegada dos bárbaros húngaros. Um de seus atos piedosos foi transformar sua casa num hospital para os pobres e ido servir a Deus num monastério. Sites oficiais confirmam sua martirização.


Foi a primeira mulher a ser canonizada pela igreja católica e isso ainda em 1.047. Seu dia é o 2 de Maio e é representada como uma freira beneditina segurando um livro e um machado.

◊Mulher de valor e santa guerreira, já praticava lutar pelo livro.


 ◊Que por todos nós interceda!

22 de mar. de 2011

História de Curitiba

Os registros públicos contém a história dinâmica de nossa Sociedade.

Contribuindo para a divulgação desses registros históricos, apresento o primeiro casamento oficiado no primeiro cartório de nossa cidade.

O papel deste livro de cem páginas foi produzido pela fábrica de Blanchet Frères et Kleber, em Rives,  França, conforme marcas d'água bem visíveis. Fundada em 1820 produzia papéis de excelente qualidade, como ainda pode ser comprovado por permanecer flexível depois de pelo menos 120 anos. Está bem amarelado, mas não tem manchas de oxidação, apenas manchas resultantes da gordura dos dedos que o manusearam.

O livro foi encadernado originalmente nas oficinas de G. Leuzinger e Filhos, fundada em 1840 no Rio de Janeiro. pelo suiço George Leuzinger, fotógrafo e empreendedor de empresas gráficas, com grande contribuição na fotografia e gravura, também editava livros com qualidade superior.

Passou por uma interferência inadequada, para dizer o mínimo, talvez por volta dos anos setenta, quando a capa original foi substituída, assim como qualquer outro registro de procedência. Graças à boa qualidade do papel, o livro envelheceu com dignidade, não precisando de muita interferência de restauro.


Livro um, de 1890.

A etiqueta do encadernador, possivelmente fazia a pautação das folhas e o corte especial com aplicações das letras do índice. 


Outra etiqueta de um concorrente da época,  Casa Garraux, fundada em 1860,
em São Paulo.


*

9 de ago. de 2010

Curioso Uso da Urina na Tipografia do Século 18

No livro "Enterrem as Correntes" (Bury the Chains) de Adam Hochschild, o primeiro grupo de antiescravocratas se reúne na tipografia do Sr. James Phillips, na Rua George Yard, 2, em Londres. Era a tarde do dia 22 de Maio de 1787 e eram doze homens que iriam dar início ao primeiro movimento organizado em prol dos direitos humanos.
Autor preocupado em ilustrar a obra com detalhes sobre a época, faz uma descrição de como era o trabalho na tipografia.
"Os tipos estariam em bandejas inclinadas de madeira com compartimentos para as diferentes letras; os tipógrafos que compunham em linha reta letra por letra estariam trabalhando, no final do dia, sob a luz de velas de sebo, cuja fumaça, ao longo das décadas, escureceria o teto.
"Os impressores, operando manualmente uma prensa plana, pegariam as grandes folhas de papel de prensa, cada qual com muitas páginas impressas. e usariam um instrumento semelhante a uma vara para pendurá-las no alto, nas dúzias de varais, para a tinta secar. Em volta, nas laterais da sala, pilhas de folhas secas, o último livro contra a escravidão ou um panfleto dos quakers, estariam esperando ser dobradas ou encadernadas. E, finalmente, o mais característico de uma tipografia do Século XVIII: o seu cheiro.
"Para colocar tinta nos tipos, quando estavam na base plana da prensa em que era colocada a fôrma, os impressores usavam uma almofada de couro revestida de lã com um cabo de madeira. Devido à alta concentração de amônia, o solvente mais conveniente para limpar os resíduos de tinta que acumulavam nessas almofadas era a própria urina dos impressores. As almofadas eram mergulhadas em baldes de urina, em seguida espalhadas no chão ligeiramente inclinado para que os impressores andassem sobre elas quando trabalhavam, comprimindo-as para que o líquido escorresse."
Esse é relato do autor, que pode ser a mais pura verdade, mas chego a duvidar que acontecia na época da reunião, parecendo ser coisa de duzentos anos trás. Nunca se sabe!
Leiam o livro. É genial.

12 de set. de 2009

Zelina Castello Branco


Lá por 1982, despertou meu interesse por encadernação. Minha livraiada (tão poucos para ser considerado biblioteca) estava em péssimo estado, com as capas soltando, as costuras rotas e as páginas sujas. Comprados já usados, herdados de familia ou comprados de livraria, pediam socorro. Os primeiros sairam toscos, eficientes mas horrendos. Então o Gino da antiga livraria de usados Guttemberg, o Salim ex-presidente de sindicato de indústrias de papel e dono de uma maravilhosa coleção de livros, e Chaim, o da livraria mesmo, me deram o livro de Zelina Castello Branco.

Foi uma descoberta atrás da outra. Direta e didática, me deu as primeiras instruções, junto com muita tentativa e erro de minha parte, mais pesquisa e prática, fui desenvolvendo minha própria técnica, sempre mais orgulhoso por reviver detalhes da verdadeira encadernação clássica do que por inventar novos métodos. Quando me deparava com algum impasse, imaginava o que Zelina faria. Quando terminava um livro, imaginava qual seria a avaliação de Zelina. Afinal, muitos dos grandes mestres da encadernação eram mulheres, como Santa Wiborada.

Tornou-se de fato minha mestra.

Era titular da “Leart – Livraria e Encadernação”, é viúva do escritor, jornalista e bibliófilo Carlos Heitor Castello Branco, um expert em livros. Instalada no bairro de Pinheiros, em São Paulo, com um catálogo de livros que alegravam o mais exigente dos colecionadores que a visitam para pesquisa de raridades. Hoje com 86 anos, está em "inquieta aposentadoria".

Um dia desses, fui às nuvens quando me telefonou. Fiquei muito honrado com sua atenção ao meu trabalho e apaixonado por essa mulher fascinante.

Atualizar a vida é preciso.

No dia 11 de Maio de 2015, faleceu Zelina Castello Branco, mulher valente e criativa que deixou o mais digno e puro trabalho de Encadernação Clássica que já aconteceu no Brasil.

Foram 101 anos de vida inspiradora e produtiva.


Como ficou meu exemplar do Livro "Encadernação", de Zelina Castello Branco.

Esse Link leva ao catálogo de livros da Le Art.

27 de ago. de 2009

Etimologia e Bibliologia


“ENCADERNAÇÃO” – ETIMOLOGIA
Lendo sobre encadernação, história e técnica, conclui que a palavra pode ter origem no velho espanhol influenciado pela cultura árabe, pois essa arte foi introduzida na Europa pela Península Ibérica, durante os séculos de dominação árabe. Assim, pode derivar-se de “encadeñar” ou encadejar, como em dispor em cadeias sucessivas, conforme o Dicionário Moraes digitalizado pela BRASILIANA.
Por associação, pode ser derivada de cadernos, ou “quaternos” dos antigos “in-fólios”. Esclarecendo, antigamente tomava-se uma folha provavelmente tamanho 96 X 66 cm, dobrava-se duas vezes formando quatro folhas ou UM CADERNO, mais outra e mais outra, que eram costuradas pelas dobras formando um livro, ou seja, encadernadas ou COSTURANDO OS CADERNOS .
Encontrei explicação plausível num livro publicado por ocasião do IIº Congresso da Indústria Gráfica Argentina:
"Ya se ha visto que la palabra "encadernacion" proviene de encuaternar (poner de a cuatro os cuadernillos impressos e coserlos. " (LA HISTORIA GENERAL DEL LIBRO IMPRESSO, Raul M. Rosarivo, Ediciones Áureas, página 201, Buenos Aires, Argentina, 1964)
Citar Raul M. Rosarivo é suficiente para encerrar a questão etimológica. O homem foi importante desenhista, professor, escritor, pesquisador das artes gráficas, pintor e bibliófilo argentino, com sólida obra sobre artes gráficas e bibliologia.
Buscando auxílio dos dicionários, o mais simples diz que é “formar cadernos”. O velho dicionário Moraes me afirmou que é derivado de “cadeñas” mesmo e do espanhol. Há até uma semelhança fonética que remete à livre associação com o Porto de Cádiz, principal ponto de entrada para os navios árabes, mas aí já é especular demais. Um blog de encadernação afirma que "encadernar significa fazer, amarrar ou segurar (em latim é ligare)", coisa que não tem nada a ver, mas está assim no sitio de encadernação e restauro.
Uma nota curiosa encontrada nesse mesmo livro, informa que o costume de pintar de vermelho os cantos dos livros começou com os monges medievais decorando as laterais em recordação ao sangue dos mártires cristãos. Esse Rosarivo...
Já que estamos nesse assunto etimológico permeado de curiosidade, são muitas as variações possíveis com a raiz grega "biblos" (livro), aplicadas desde a quem coleciona até a quem depreda, sem contar aquelas mais usuais, como "biblioteca":

Bibliófilo: que ama os livros
Bibliocasta: que destrói livros
Biblioclepto: ladrão de livros
Bibliótafo: que esconde os livros
Bibliófago: comedor de livros
Bibliófobo: que odeia livros
Bibliólotra: que idolatra livros
Bibliomanta: que pratica adivinhação ao abrir um livro ao acaso e interpretar a primeira linha
Biblioterapia: cura por meio da leitura
Bibliópola: vendedor de livros
Biblióforo: que carrega livros
Bibliomaníaco: que tem atração mórbida por livros

E por aí afora, sem falar nos Bibliocidas, aqueles que encadernam livros, destruindo a obra no processo, vide outros posts neste espaço.