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22 de out. de 2018

Trabalhos recentes

Esta semana foi mais calma do que o usual.
Fiz estes trabalhos para cartórios de Curitiba.
Todos os livros com acabamento em couro e uso de papel marmorizado ou tela marmorizada, conforme o tamanho do livro.
Apenas os livros de Controle de Assinatura são costurados e para isso usei fios mais finos e costura diferente, permitindo que o livro se abra completamente. O livro de "Controle de Firma Autêntica ou Verdadeira" e feito com impressão em papel cartão, resultando num volume grosso e pesado, com poucas margens internas. Deveria ser impresso em papel sulfite 120 gramas e com o espaço destinado à assinatura nas pontas e não no meio do formulário.

Livro de folhas soltas, amarrado, acabamento em couro e papel marmorizado.

Livro de cadernos costurados, acabamento em couro e tela marmorizada.

Livro de folhas soltas, amarrado, acabamento em couro e papel marmorizado.

Livro de folhas soltas, amarrado, acabamento em couro e papel marmorizado.


Trabalhos desta semana, livros com acabamento em couro e papel ou tela marmorizada.

25 de jan. de 2017

Novos Cartorários Devem Exigir Qualidade

Estão acontecendo mudanças nos Cartórios.
Depois de anos de indefinição, judicialização e insegurança generalizada, novos titulares estão assumindo.
Fizeram concurso público, alcançaram qualificação e assumiram as pesadas obrigações de quem tem por responsabilidade principal produzir e guardar documentos públicos, desde registros de nascimento, casamento e óbito, até escrituras, procurações e registro de imóveis, além de muitos outros procedimentos oficiais necessários à vida formal dos cidadãos.
O evento é favorável aos que chegam e bastante constrangedor para aqueles que saem, pois alguns são a segunda ou terceira geração da mesma família cuidando do cartório e tem apegos previsíveis.

Desejo boa sorte e prosperidade a este novos titulares.


Mas preciso ALERTAR para uma série de medidas que devem adotar como norma e padrão de qualidade na produção desses documentos públicos.


ESCOLHA DO PAPEL


É simples: use somente papel de qualidade. 

Padronize o uso de papel no formato A4 (29,7 x 21,0 cm) na gramatura 96 gramas. É mais vantajoso pois ocupa menos espaço e resulta em livros mais leves e manuseáveis.
O bom papel é aquele que tem ACIDEZ aceitável, ou seja, não vai amarelar em pouco tempo.
A marca de qualidade apresenta todas as folhas sempre do mesmo exato tamanho, enquanto marcas vulgares ou desconhecidas tem diferença de milímetros entre um lote e outro de papel.
A boa marca de papel é realmente da cor BRANCA.
O bom papel tem a espessura (gramatura) exata de 96 gramas.

EXIJA DO ENCADERNADOR


Exija que seu encadernador use técnicas honestas de encadernação.,

Peça que use reforços adequados.
Use duas folhas em branco no começo e no fim do livro, para proteger o conteúdo oficial da acidez da cola e do papelão da capa.

Descrevo em pormenor o que julgo ser a melhor técnica de encadernação, em minhas NORMAS TÉCNICAS, as quais tenho oferecido à exaustão às autoridades do C. N. J. - Conselho Nacional de Justiça - nacional e local. Mas não tenho encontrado boa vontade. Atualmente, poucos são os que sabem a diferença entre uma encadernação vagabunda e outra feita com técnicas apropriadas, apesar de usando os mesmos materiais básicos. A diferença é que uma não resiste ao simples manuseio e a outra nunca precisará ser refeita.


Infelizmente, tenho certeza que o Titular de Cartório  NÃO VAI ENCONTRAR NENHUM ENCADERNADOR que use uma boa técnica, pois muitos nem mesmo sabem fazer alguma coisa um pouco melhor e para além da frágil encadernação "capa dura" comercial.


Esses encadernadores básicos e limitados sabem que daqui a alguns anos vão poder REFAZER esses mesmos livros e contam com isso. 


Portanto o Titular DEVE EXIGIR que ele aprenda e aplique uma técnica melhor nos seus livros. Não é difícil aprender e um artesão deve sempre evoluir em seu trabalho, mas exige um pouco mais de mão de obra.


Portanto, sejam rígidos e perfeccionistas e não aceitem as pobres e frágeis encadernações oferecidas normalmente por aí, seja no centro de São Paulo ou no sertão nordestino.


Copie as normas e encaminhe ao seu gerente, ao seu encadernador e à sua gráfica.


Vai ver que o resultado é economia, qualidade, beleza e credibilidade. 


Ainda vai me agradecer.

19 de mai. de 2015

Capa Dura e Encadernação Clássica - Diferenças

Diferenças entre a técnica de “CAPA DURA COMERCIAL” e ENCADERNAÇÃO CLÁSSICA de folhas soltas.

No trabalho de encadernador e restaurador clássico, também tenho feito encadernações mais simples com material sintético. Comecei por insistência de clientes.

Depois de restaurar todo o acervo de livros manuscritos antigos e em todos os outros livros cuja importância merecia o uso de couro, sobraram aqueles livros menos manuseados mas de conservação obrigatória e por tempo indefinido. Justamente os livros recentes feitos por impressora, em folhas soltas no formato ofício A4.

A bem da verdade, não é correto denominar esses volumes de "livros”, sendo muito menos apropriado denominar o trabalho como de “encadernação”. Como são FOLHAS SOLTAS, o correto é chamar de “BLOCAGEM”.
Miolo pronto de blocagem de folhas soltas


Encadernar é costurar cadernos. O resto é enganação de cursinhos rápidos.

A técnica comum usada nestes volumes é a mais simples e básica. É utilizada em volumes para monografias, teses, trabalhos de conclusão de curso, livros contábeis e qualquer outro que envolva folhas soltas.

É mais conhecida como CAPA DURA, por óbvias razões, sendo amplamente utilizada na encadernação comercial.

Sob o ponto de vista da encadernação clássica é a “técnica sem nenhuma técnica” , a “encadernação bastarda” e a desvalorização do trabalho de encadernador, pois custam muito pouco e duram muito menos.

Aplicando técnicas de encadernação clássica ao trabalho de Blocagem de Folhas Soltas, acabei por consolidar um conjunto de procedimentos que resultam em livros mais duráveis, muito mais resistentes e até mais bonitos, apesar de usar quase os mesmos materiais da CAPA DURA.

E pretendo descrever cada etapa do processo.

  

1 - Miolo


Miolo ou as folhas soltas do livro propriamente dito.

Organizo as folhas e acrescento duas folhas em branco no início e no fim do livro, do mesmo tipo e marca do volume. Com o tempo as folhas evaporam e amarelam por igual. Servem para proteger as primeiras e últimas folhas do livro em si, evitando que amassem, sanfonem ou manchem por proximidade com a cola e o papelão da capa..


E, MUITO importante: Jamais uso guilhotina, nunca refilo os lados das folhas. Jamais!

O outro método não acrescenta nenhuma folha.

2 – Amarrando as folhas soltas


Faço serroteado, com SETE cortes, os primeiros de cada
Serrotado e amarrado, com tira de tecido  
lado inclinados em direção ao centro do livro.

Aplico cola em toda a lombada. Faço amarração dupla. Aplico novamente cola. Reforço a lombada com diversas camadas de tiras de papel e finalizo com uma tira de papel marmorizado.

A outra técnica apenas fura quatro ou cinco vezes com furadeira elétrica e amarra, passando cola na lombada.

3 – Reforço de Tecido

serrotado, com folha de guarda e tecido e arrematado

Insiro uma tira de tecido fino e não sintético na amarração próxima à cabeça e outra próxima ao pé do livro.

Este detalhe é o que realmente segura o miolo à capa, impedindo que o miolo caia ou que a folha de guarda se rasgue.

A técnica comercial não usa nenhum reforço.


4 - Colocação da Folha de Guarda

tres fases vistas pela lombada

Sempre passando cola, faço a tira de tecido ficar por cima da folha de guarda, que é profundamente colada sobre os fios de amarração.

A técnica comercial apenas cola a folha de guarda diretamente sobre a primeira folha que faz parte do livro, sem nenhum reforço.

5 – Corte da Capa


Corto o papelão da capa com cerca de tres milímetros a mais do que o miolo nos tres lados. Corto o lado ao longo da lombada com cinco milímetros a menos do que o miolo e faço um pequeno corte nos cantos internos, ou lado esquerdo, da capa.

A técnica comercial corta o papelão muito maior, não deixa espaço perto da lombada e nenhum corte nos cantos.




capas lixadas, unidas e lombada falsa

6 – Lixamento do Papelão


Lixo todos os OITO LADOS OU BEIRADAS e os quatro cantos do papelão.

Não deixo nenhuma superfície cortante e arredondo os lados, para que o material de acabamento envolva perfeitamente o papelão e a cola penetre em toda a superfície. Assim o material de acabamento não sofre dano resultante do fio cortante do papelão.

Para a encadernação comercial, lixar as bordas do papelão é perda de tempo.

7 – Lombada Falsa


Uso sempre apenas uma tira de papelão tipo kraft até 350 gr. para fazer qualquer lombada falsa, independente do tamanho do livro. Fica mais maleável e não força o material de acabamento.

A encadernação comercial usa lombadas falsas da mesma espessura do papelão das capas. Tentam disfarçar outras imperfeições, dando a ilusão de solidez, mas apenas serve para dificultar a ação de abertura, provocando um efeito de alavanca que desgasta e rasga o material de acabamento.

8 –Capa


O método “a la Brandel”, ou fazer encadernação do miolo e da capa em separado e depois juntar é o único usado na encadernação comercial. É mais rápido e prático.

Tiro as medidas da capa no miolo e junto as duas capas e a lombada falsa através de uma tira de papel kraft fino.
interior da capa, note-se o empastelamento


O papel kraft tem fibras longas e resistentes, mas é muito ácido e seu uso deve ser limitado em áreas que não atinjam as folhas brancas do volume, que ficariam manchadas em pouco tempo.

Neste momento, se o volume é muito grande, colo uma tira de tecido por dentro da capa, na cabeça e no pé da lombada.


Em tempo, o papelão deve ser empastelado, ou seja, passar cola aguada no lado de dentro do papelão e colar uma folha de papel, para prevenir o empenamento.

A encadernação comercial mede as distãncias e cola o papelão e a lombada falsa diretamente no material de acabamento, que pode ser vulcapel, tecido ou papel fantasia. Não usa nenhum reforço.


Finalizando


A partir desse estágio, só falta aplicar o material de acabamento. Uso frequentemente o Vulcapel, que é apenas uma folha de papel com uma camada de plástico colorido. É muito frágil e perde o brilho em curto prazo, mas pelo menos é lavável.


São estas as principais diferenças 

entre os livros que faço e aqueles feitos 

por qualquer outro encadernador. 

Como qualquer trabalho de qualidade, exige mais tempo de mão de obra e um ou outro material diferente, custando apenas um pouco a mais do que os trabalhos comuns.

Mas é assim que qualquer encadernador deveria trabalhar, Com mais conhecimento. Com técnica mais apurada. Com respeito pelos livros que recebe.

O cliente não pode ser enganado com encadernações que se desfazem logo que são colocadas na prateleira, que não resistem ao mais simples manuseio e que nem sequer ficam em pé sem apoio.

Toda essa técnica está descrita e prescrita no meu trabalho de NORMAS TÉCNICAS DE ENCADERNAÇÃO que tenho oferecido e sugerido que seja adotada para o bem dos livros, para tranquilidade dos clientes e, principalmente, para valorização do trabalho do encadernador.



Atelier. Como fotografar sem todo esse reflexo nos vidros...


24 de jul. de 2014

Digitalizando livros de cartório: CUIDADO!

Ainda hoje, conheci um cartório da região de Curitiba, onde me apresentei para restaurar e encadernar seus livros. 

Conversando, contou-me que vai precisar digitalizar todos os livros, por exigência do Juiz Corregedor.
E que precisa desmontar os livros e reencadernar. Inclusive, a empresa contratada vai fazer todo o serviço.
Isto é um erro e um perigo para os livros.

É desnecessário desmontar e encadernar novamente, pois existem equipamentos de digitalização que cumprem a tarefa e que já foram usados com sucesso em outros cartórios.
Com o SCANER DOBRAVEL, com um "braço flexível que pode ser montado em uma mesa e ser ajustado para qualquer tamanho de livro, por exemplo, que é pequeno, prático e eficiente, existindo muitos modelos no mercado, o próprio cartório pode fazer o trabalho.

Temo que as empresas que oferecem o serviço de digitalização não tenham conhecimento para encadernar os livros. Além disso, representam um custo de cerca de R$.0,49 POR DOCUMENTO.

Podem cometer os erros comuns do encadernador comercial, entre eles:

1- Dilacerar os livros na desmontagem;
2 - Perder fragmentos ou pedaços dos livros manuscritados antigos;
3 - Desprezar detalhes históricos do livro, como etiqueta de fabricantes, amostras de material original, etc.;
4 - Apenas amarrar as folhas, na re-encadernação sem restauro;
5 - Refilar ou guilhotinar no mínimo um centímetro dos lados dos livros, para retirar partes irregulares, perdendo texto e averbações;
6 - Utilizar material de acabamento frágil.

É preciso que esses procedimentos sejam denunciados para que sejam evitados.

Outro detalhe importante é quanto às constantes digitalizações que serão necessárias a cada nova Averbação nos registros.

Para atender à demanda diária do Cartório, os livros teriam que ser sempre encaminhados para a digitalização. Com uma máquina no próprio local, isso pode ser feito rotineiramente no próprio cartório.

  Um trabalho amador pode custar caro e prejudicar os documentos públicos.

Contem com minha assessoria sem nenhum custo para encontrar a melhor solução para digitalização do acervo do cartório, com mínima despesa, total segurança e respeito aos documentos.

Pois os livros continuarão sendo a única forma de registro perene, que não podem ser impunemente fraudados e que tem inquestionável fé jurídica e legal.

22 de jul. de 2014

Livros Oficiais

Alguns exemplos do trabalho de restauro e encadernação de livros de cartório, como Registro de Imóveis, Registro Civil e Títulos e Documentos, preciosos depositários de documentos públicos.
Todos com acabamento em couro na lombada e nos cantos, com o espelho em tela (tecido com base de tinta acrílica e marmorizados com tinta esmalte sintético).

Apesar do acabamento nobre e de usar técnicas que demandam muito mais aplicação de mão de obra, o preço é bastante compensador, menos do que o dobro do valor das encadernações comerciais que todo mundo conhece.

E dou garantia total enquanto eu viver.


TRABALHOS DE UMA SEMANA BEM PRODUTIVA

LIVROS MEDINDO 63 X 41 cm 

Livros medindo 41 x 28 cm

Mesmos livros enfatizando o canto inteiro em couro
,
Exemplos de nervuras e douração 

10 de abr. de 2012

Dicas Para Conservação de Livros

Livro é um objeto frágil.
*
O prosaico ato de ler já contribui para sua deterioração, graças à precariedade da indústria gráfica e a falta de padrões dos editores. 

Começando pela análise do papel, normalmente é de baixa qualidade, comprovável pela alta porosidade causada pela economia de agente agregador da massa de celulose, resultando em evaporação acelerada e pouca resistência à umidade e fungos.
Fazem grande economia de margens, tanto nas bordas internas quanto nas externas, resultando que o leitor tem que forçar a abertura e assim deforma o livro. As colas usadas são de alta acidez, soltando-se e ficando quebradiças já na primeira leitura.

As capas são precárias. Enrolam para fora e soltam-se do miolo do livro, sem mencionar que aquelas bonitas letras douradas dos livros do Harry Potter e da série Crepúsculo somem em pouco tempo por força da fricção.

Para mitigar um pouco o sofrimento deles, passo umas dicas de conservação.

FUNGOS EM LIVROS DE COURO

Limpe o couro com um pano umedecido em detergente tipo "veja" multi-uso diluído 50/50, em seguida friccione o remédio VODOL (nitrato de micozanol) líquido. A receita serve para qualquer objeto de couro ou papel.

HIDRATAÇÃO DO COURO

Limpe o couro da mesma forma acima, depois use hidratante normal, tipo Vasenol, Nívea, etc., passando com uma esponja ou um pedaço de pano limpo. 

Se tiver sinais de fungo, acrescente Vodol creme ou líquido e hidrate com essa mistura.

LAVANDO O LIVRO

Se comprou um livro no sebo, ou se emprestou para alguém e voltou sujo, ou se emprestou um livro sujo de alguém, ou seus livros estão sujos mesmo, pode lavar as capas que sejam plastificadas ou de papel couchet. 

Use detergente multi-uso dliluído 50/50, mergulhe o pano no recipiente, torça bem e esfregue rapidamente até tirar toda a gordura e sujeira da capa. 
Pode passar de leve no alto das folhas se estiverem muito sujas. 
Em seguida passe um pano seco e limpo. Aqueles livros de capa dura do Clube do Livro são inteiramente laváveis. Siga sempre mergulhando o pano na solução de detergente e torcendo bem.

PASSANDO CERA DE ABELHA

Se há um elemento inestimável para conservação de livros, é a bendita cera de abelha. Possui incríveis propriedades anti-fungo e anti-mofo, também mantendo distante cupins, traças e brocas. 

Uso principamente para encerar os fios de costura do livro.
Mas também pode ser usada com sucesso para:

1) esfregar em manchas de fungo e mofo das folhas;

2) esfregar na parte superior das folhas com livro bem fechado;

3) encerar as capas de livros antigos, garantindo às folhas ressecadas e porosas um pouco de proteção.

Vale a pena passar numa loja de material de construção, daquelas antigas onde tem de tudo, e comprar umas gramas de cera. É muito barato e dura muito tempo. Se tem casa algum objeto de madeira com aquela cultura de fungo verde, lave e passe a cera. Fica livre do fungo e bonito.



O Manuseio do Livro

Os critérios para manusear um livro são determinantes para uma maior vida útil e de sua permanência no acervo. Recomenda-se portanto, a adoção de normas e procedimentos básicos, como por exemplo o treinamento de pessoal, que contribui consideravelmente para a conservação preventiva do acervo, seja pequeno e estimado ou grande e inestimável.

♦ Não manusear livros ou documentos com as mãos sujas, lavando as mãos após cada refeição.
♦ Não manter plantas aquáticas, guarda-chuvas e capas molhadas junto às prateleiras.
♦ Em dias muito úmidos, evitar abrir as janelas.
♦ Não fumar nem consumir alimentos perto dos livros.
♦ Não usar fitas adesivas, durex de qualquer tipo, colas plásticas, grampos ou clipes metálicos nas folhas e documentos guardados nos livros.
♦ Não dobrar os cantos das páginas (orelhas), pois ocasiona o amolecimento e rompimento das fibras. Nunca virar as páginas segurando pelos cantos.
♦ Usar marcadores próprios, finos, evitando efetuar marcas e dobras.
♦ Não retirar o livro da estante puxando pela borda superior da lombada.
♦ Os livros devem permanecer em posição vertical, em pé. Nunca acondicioná-los com a lombada para baixo ou para cima.
♦ Nunca manter os livros muito compactados nas estantes.
♦ Fazer o transporte dos livros individualmente.
♦ Nunca umedecer os dedos para virar as páginas do livro. O ideal é virar pela parte superior da folha, procurando a página e abrindo todas as folhas de uma só vez.
♦ Não apoiar os cotovelos sobre os volumes de grande porte durante a leitura.
♦ Não fazer anotações, particulares ou profissionais, em papéis avulsos e colocá-los entre as páginas de um livro. Eles deixam marcas e permitem a penetração de sujeira e umidade.
♦ Evitar forçar a abertura para tirar cópias de livros. Esta prática danifica não só a encadernação como também o papel.
♦ Não utilizar espanador e produtos químicos para a limpeza do acervo e a área física da biblioteca, use trincha em local afastado das estantes. Para evitar a distribuição de poeira sobre os volumes, o piso deverá ser limpo com pano úmido.

A ilustração do “Livro Monstro de Harry Potter”?

Ora, o segredo para o livro não morder é: sempre tratá-lo com carinho.

27 de jan. de 2012

A Função Objetiva e Social do Encadernador Clássico


Função Objetiva

O exercício da profissão de encadernador tem se tornado meramente de atendimento à demanda do mercado.


O encadernador comercial faz um livro contábil-fiscal segundo o menor custo, considerando sua duração efêmera de apenas cinco anos, aplicando uma técnica que permite que folhas sejam substituídas sempre que necessário e sem deixar marcas, pois é desejo de seu cliente alterar os registros contábeis a qualquer tempo. Ainda, encaderna monografias escolares, publicações e livros com ou sem valor bibliográfico, utilizando dessa mesma técnica, à qual fica limitado. Chamado a atender um cliente, oferece sempre seu produto mais acessível e a técnica a seu alcance.


Contudo, a função objetiva de um Profissional de Encadernação vai muito além desse atendimento automático às demandas do mercado. Deve abranger desde a indicação de técnicas mais apropriadas a cada trabalho até os cuidados com o acervo geral do cliente.



Cuidando do Acervo

Ao prestar serviços a seu cliente, o encadernador deve observar a situação do acervo de livros, sejam eles contábeis, fiscais, públicos ou privados. Sua obrigação ao iniciar o trabalho compreende os cuidados seguintes: 


- Verificar se estão guardados em local seco e arejado, sem incidência de luz solar direta, com pisos cerâmicos ou impermeáveis, principalmente verificando se há goteiras ou infiltrações de umidade.


- Observar se há infestação de pragas, como traças e cupins, bem como pesquisar junto ao cliente se há histórico ou mesmo se há sinais de uso de venenos de longa permanência, como BHC, DDT e organoclorados, nocivos à saúde humana.


- Manter o acervo distante da cozinha, refeitório, despensa ou banheiros, evitando contaminação por baratas e outros insetos, exposição dos livros a fontes de calor, acúmulo de gordura e umidade.


- Indicar ao cliente o uso de papéis de qualidade e que sejam de acidez neutra.


Concluindo que o acervo inspira cuidados adicionais ou se encontra em estado precário, o encadernador deve alertar o cliente e sugerir as medidas necessárias para melhor conservação.



Aplicando a Melhor Técnica

É óbvio para qualquer profissional que deve ser aplicada a técnica adequada e utilizados os materiais apropriados a cada tipo de livro. 


Mas não tenho visto isso ocorrer na prática.

 O que vejo é a aplicação indiscriminada da mesma técnica primária e dos mesmos materiais sintéticos frágeis, seja nos livros fiscais efêmeros, em documentos públicos de validade indeterminada, ou em obras de grande valor bibliográfico. É a regra do menor custo e do menor benefício. O encadernador oferece o mínimo para não correr o risco de perder o trabalho e o cliente aceita por achar que esse é o único produto disponível. O resultado dessa equação pelo mínimo é a perda de credibilidade do profissional e a insatisfação do cliente, além da deterioração acelerada de todo o acervo.

- Assim, livros de maior peso ou dimensão, como os livros de cartório, devem receber reforços adicionais, com uso de materiais resistentes ao manuseio repetido e que permitam ser higienizados com regularidade.


- Os livros de valor sentimental ou bibliográfico devem ser encadernados com sensibilidade, utilizando materiais duráveis e nobres, conservados todos os itens, como capa, contra-capa, orelhas e anotações, resultando num trabalho que complementa a obra e respeita a estética da época em que foi editada. Nesses casos,sempre evitar a padronização e procurar manter a singularidade de cada obra.


- Os livros fiscais, monografias e outros onde é admitido o uso de acabamento sintético tipo vulcapel, podem ser reforçados para que cumpram seu tempo de uso com alguma dignidade e não se desfaçam ao primeiro manuseio.


Em qualquer caso, o cliente é merecedor de receber o melhor benefício pelo melhor custo. Cabe ao Encadernador oferecer as técnicas mais apropriadas e assessorar o cliente em todos os aspectos, valorizando sua nobre ciência e enobrecendo o acervo. 



Função Social

Acredito que a encadernação segundo a boa técnica clássica tem importante função social.


Quando aplicada em livros oficiais, garante sua integridade e inviolabilidade, prevenindo fraudes e interferências. Um livro sólido e bem conservado tem mais credibilidade, muito mais fé legal, do que um livro frágil e dilacerado pelo simples manuseio.


Os livros oficiais guardam a história dinâmica de nossa Sociedade, onde são registrados os nascimentos, casamentos e óbitos, as transações imobiliárias e os contratos entre os entes sociais. A encadernação, aqui compreendida desde o assessoramento do acervo, é o mais importante item de conservação dessas informações.


Quando aplicada em livros em geral recém editados, garante a qualidade do produto final e respeito ao consumidor.


Adotada em obras de valor bibliográfico, preserva-as. Outras gerações poderão apreciar suas qualidades, uma vez que suas características originais foram respeitadas.


Ao adotar técnicas que dão ao livro resistência e longevidade, também contribui para o uso racional de recursos naturais, pois um livro corretamente encadernado e preservado nunca precisa ser refeito.

7 de ago. de 2011

Restauração e Recuperação

Por interesse particular, sempre gostei de salvar velhos móveis, pois eram feitos com técnicas hoje desprezadas pela indústria e com materiais nobres. Cadeiras eram minhas preferidas. Para obter o resultado ideal, procurava sempre respeitar as características originais do móvel. Se o acabamento era em verniz brilhante, não importava a moda do momento preferir acabamento fosco. O restauro tinha por objetivo conservar.

Em móveis, talvez em automóveis ou em estátuas de uma igreja, o restauro é inteiramente possível. Dá um pouco de trabalho ir atrás de vernizes, madeiras semelhantes, peças de motor ou itens de acabamento, mas não é muito caro nem irrealizável. Aliás, cristaleiras, carros e santos são mais duráveis e feitos de materiais ainda abundantes.

Com livro, o problema é muito maior. O papel é muito frágil, mesmo aqueles pré-industriais. Além disso, raramente um papel é igual a outro, mesmo fabricados em idênticas condições a partir da mesma matéria prima.  A costura da encadernação, com o tempo, fere as folhas. As colas ressecam e cedem. O couro resseca e esfarela. A douração desaparece. Como restaurar, ou seja, recuperar todas as características originais de um livro, seja na costura, nos tipos de papel, no couro e no acabamento? É um processo proibitivamente caro, reservado a pouquíssimas obras de grande valor que, mesma magistralmente restauradas, perdem valor no final do processo, pois uma das principais qualidades de um livro raro é ter resistido e aparentar a passagem do tempo sobre ele.

Soubessem da dificuldade de encontrar um legítimo couro português, obtido a partir de uma cabra, com a espessura e a textura exata, não falariam em restaurar. Já vi desmontarem livros de menor valor para usar em outro. Sem falar em obter o mesmo tipo para douração e os ferros de relevo.

De qualquer forma, salvo minha ignorância, restaurar inteiramente um livro, na inteira acepção da palavra, deixando-o igual ao dia em que veio ao mundo, não é realizável.

Assim, é preciso encarar que é possível consertar um livro destruído e sobre ele colocar uma capa que dialogue com o tempo em que foi feito e com seu conteúdo, mas não é razoável restaurar completamente, mesmo que os recursos financeiros, técnicos e logísticos sejam abundantes. Uma “obra restaurada” apresenta marcas de interferência, materiais discrepantes e detalhes que denunciam não ser um objeto original.


Se há livros raros e antigos que precisam estar expostos para fruição da Sociedade em Museus, há livros raros e antigos que precisam ser seguidamente consultados, pois ainda têm valor como documento. Estes livros precisam receber tratamento que respeite sua integridade e lhes confira solidez, nestes casos sendo indicado procedimentos de RECUPERAÇÃO do livro.

O processo de recuperação aceita que se interfira com materiais contemporâneos nesses livros antigos, pois tem por finalidade proceder os consertos de folhas rasgadas, sanfonados, devoradas, com muitos fragmentos perdidos. A capa deve ser firme, fina e leve, com papelão de alta densidade. Por exemplo, com uso de papel de arroz, colas atuais de acidez neutra, uso de couros, tecidos e materiais sintéticos no acabamento.



26 de jun. de 2011

Cuidados com os livros no clima seco

Neste inverno, o clima promete ser frio e seco na região sul e centro-oeste.
O papel sofre com a ação do clima seco, muito mais intensamente do que com o clima húmido.
Para minimizar o processo de ressecamento, seria ideal que fossem mantidos em ambiente controlado, com a Temperatura entre 16º C e 21º C e Humidade Relativa entre 45% e 60%, mas não conheço quem se disponha a esse cuidado, que é dispendioso e impraticável, pois os livros são de manuseio intenso.
Não pretendo abordar a conservação de livros em museus e bibliotecas de raridades inestimáveis, que utilizam maquinaria pesada, procedimentos técnicos avançados e pessoal qualificado.
Os cartorários e os felizes leitores podem pelo menos adotar a seguinte precaução:

1 - Manter o livro em pé

Para oferecer a menor área possível à ação do tempo, o livro deve ser posto sempre em pé, junto a outros livros de tamanho semelhante e levemente apertados uns contra os outros.
Muitos cartórios têm cometido o erro de guardar os livros deitados, seja por estarem muito deteriorados ou simplesmente para facilitar o manuseio de livros muito pesados.
Oferecendo muita área a ação do clima, as folhas do livro entumecem (incham) com a humidade e ressecam com o tempo seco, ficando cada dia mais onduladas e separadas umas das outras. Nesta posição, o processo normal de evaporação da celulose é bastante acelerado, permitindo a entrada de poeira e tornando o papel quebradiço muito rapidamente.
Em pé.oferece apenas a superfície do alto do livro.
Tenho trabalhado livros de 1960 em adiantado estado de ressecamento e com as folhas sujas de poeira, resultado da guarda inadequada. Muito acabados para a idade.
Portanto, seja qual for o estado do livro, mantenha-o sempre em pé e apertado entre outros livros.



21 de mar. de 2011

Salvando Livros de Inundação

Melhorei esse post depois de colaborar na Revista Superinteressante,edição de Junho/2011, sobre o tema: 

Recuperação de Livros Molhados
Livros Salvos de Inundação
Secagem de Livros Oficiais 
.
Com as inundações flagelando tanta gente nesse ano de 2011, resolvi dar uma repaginada nesse post, tornando-o mais prático.
 
São muitos os eventos que podem desencadear a inundação de um acervo de livros. Problemas de encanamento, ar condicionado defeituoso, goteiras e infiltração do apartamento vizinho afetam os livros de forma superficial e quase sempre de forma localizada. Contudo, as inundações que tem ocorrido em muitas regiões nesta temporada tem atingido acervos de bibliotecas e cartórios. As bibliotecas são constituídas de livros comuns que podem ser repostos, mesmo se esses livros são livros raros ou dispendiosos. Mas os cartórios guardam documentos importantes, os registros públicos únicos e insubstituíveis.
Em qualquer caso, o tempo é essencial para salvar o acervo.
A água pode causar danos desproporcionais à quantidade. Misturada a terra e sujeira, encharca o papel, devendo ser desinfetado para futuro manuseio. O bolor forma-se normalmente a uma temperatura a partir de 21ºC e umidade relativa de 65%, mas pode formar-se em menos de 48 horas depois de uma inundação.


Mas não é apenas o bolor que representa problema. Numa inundação tudo é contaminado por outras pragas, sujeira e bactérias. Mesmo na água que por acaso escorre de um aparelho de ar condicionado que funciona mal ou de uma goteira do telhado pode haver urina de rato. Assim, podem causar doenças sérias com danos à saúde e até mesmo a morte.


Portanto, em primeiro lugar, avalie com critério rígido o que TEM QUE SER RECUPERADO. É preferível PERDER UM LIVRO OU QUALQUER OUTRO OBJETO do que manuseá-lo demais, MESMO COM PROTEÇÃO. Porisso indico o congelamento: não exige muito manuseio.


Se você tiver recursos, se o material é imprescindível, como no caso de Cartórios, siga os seguintes procedimentos:


1-Parar o fluxo de água e afastar a água da zona infectada;
2-Garantir a segurança do pessoal que entra na zona inundada com água parada, usando botas impermeáveis e nunca manuseando os livros atingidos sem proteção de luva de borracha;
3-Retirar o material molhado da zona inundada de maneira ordenada;
4-Pressionar cada livro para retirar o excesso de água, guardar em engradados plásticos com empilhamento de 30 cm no máximo, se muitos, em bacias ou recipientes plásticos abertos e levar para congelamento;
4-Iniciar o processo de Congelamento ou secar o material dentro de 24 horas, com gelo, secagem à vácuo, ou à mão;


Para livros ou qualquer objeto de papel, como álbuns, documentos soltos, deve ser usado o compartimento de congelamento de um refrigerador frost-free caseiro, usualmente de -14ºC. O processo pode durar até dez dias. Existem empresas que podem ceder ou alugar espaço em suas câmaras de até -29ºC, como supermercados, distribuidores de frios e carnes, o que garante maior rapidez no processo e destruição absoluta de todos os insetos e fungos.


O ventilador pode ser usado em fotografias ou documentos soltos, desde que antes seja lavado com esponja umedecida em detergente bactericida. Em livros, não funciona, pois não evita o entumescimento (tumefação) das folhas, as folhas incham e não voltam à espessura original, ficando o livro iremediavelmente deformado e as folhas escurecidas. O pior é que, mesmo depois de seco, o livro fica realmente fedorento e ainda está contaminado. Como as fibras ficaram comprometidas o papel vai ficar quebradiço e frágil




Diplomas, gravuras, telas e documentos importantes podem ser lavados em esponja umedecida em detergente bactericida,  depois colocados entre folhas de toalhas de papel, pressionando-as levemente. Trocar as toalhas de papel até que esteja o mais seco possível e deixar secar completamente em ambiente arejado. Não deixar sob o sol, pois o papel vai amarelar por oxidação.


Para retirar manchas de oxidação, deixar em água de torneira corrente por alguns dias até branquear por ação do cloro na água.


Livros feitos de papel couchet, por exemplo, como o material de revistas, se molhados as folhas grudam umas às outras e podem ser considerados perdidos sem remédio.

Assim, é preciso agir nas primeiras 6 HORAS após a inundação. Há autores que estendem o prazo por até 24 horas, mas a ação deve ser imediata.
Ao contrário do senso comum, não deve abrir o livro ou levá-lo para o sol, nem usar secador ou ventilador.
O melhor método é o de SECAGEM POR CONGELAMENTO A VÁCUO.
O livro deve ser colocado para congelar um câmara frigorífica frost-free a -20ºC, ou mesmo num freezer que funcione no sistema frost-free, existem muitos modelos à venda. Esse sistema funciona retirando a umidade e mantendo a temperatura de congelamento.
Se encapados com tecido, podem ser empilhados diretamente. Se é encadernação com uso de vulcapel (plástico), devem ser separados por uma folha de papel para assar carnes ou mesmo por uma folha de alumínio. É aconselhável o empilhamento em colunas com espaço entre si, para evitar que os livros fiquem deformados.
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No vácuo e a menos de 0ºC, ocorre o fenômeno de SUBLIMAÇÃO, quando os cristais de gelo evaporam sem liquefazer e a umidade é retirada do ambiente.
O processo pode demorar mais de dez dias, conforme a quantidade.
Depois de secos, devem passar por desinfecção, limpeza e reencadernados, se necessário.


Se o seu acervo for atingido, procure um supermercado, um distribuidor de frios, dentre empresas que tenham câmaras frigoríficas à vácuo. Solicite auxilio ou alugue espaço nesses locais.


LEMBRE-SE: PENSE PRIMEIRO EM SUA PROTEÇÃO E SEGURANÇA. 
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OUTROS MÉTODOS
Exitem métodos para secagem de livros e  documentos molhados. Contudo, nenhum deles RESTAURA o material, pois qualquer que seja o procedimento, o material não recupera a mesma condição anterior ao evento.
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SECAGEM AO AR
Para documentos em folhas separadas, pequenos livros ou moderadamente umidos. O livro é prensado para retirar o excesso e desmontado.  As folhas são limpas,  espalhadas, cobertas com tecido ou papel toalha e submetidos a ventilação constante. Demanda muito cuidado para que não rasgue ou fique distorcido e amplo espaço para trabalho. Pela aplicação de mão de obra, é trabalho de alto custo.
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DESUMIDIFICAÇÃO
Tambem para livros moderadamente molhados. Consiste em usar máquinas de desumidificação a frio diretamente no ambiente. É o método mais precário.
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SECAGEM POR CONGELAMENTO
Usado nos livros ainda úmidos numa câmara frigorífica  Os livros precisam ser congelados ainda molhados, apertados e separados com papel de congelamento, levados à câmara frigorífica com temperatura por volta de -23 graus, para reduzir distorções. O processo leva até algumas semanas.
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SECAGEM TÉRMICA A VÁCUO
É necessária câmara especial para o processo. Consiste em submeter o livro ainda molhado e congelado a um ambiente a vácuo, com uma fonte de calor. Para materiais muito danificados pela água, é a melhor solução, mas exige ambiente especial e equipamento semelhante ao ar condicionado. Não evita tumefação e fundição do papel.
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RESTAURO E ENCADERNAÇÃO
Em todos os casos, será necessário reencadernar os livros, restaurando-os no processo, pois a água dilui as colas usadas, seja ele a orgânica e mais antiga, seja a cola branca mais moderna.
Além disso, a restauração vai desinfetar e limpar as folhas, permitindo que o livro possa ser novamente manuseado, bem como a encadernação vai proteger as frágeis folhas sobreviventes da inundação.
Todo o livro molhado fica mais frágil e é dispendioso e demorado fazer todo o restauro necessário. Por exemplo, o processo de limpeza e branqueamento é feito folha por folha, cada uma delas devendo ficar por dias debaixo de ÁGUA CLORADA CORRENTE. Sendo técnica utilizada apenas para livros raros, gravuras valiosas e documentos históricos. É impraticável quando o material comprometido é abundante mas os recursos financeiros são limitados.
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É LEITURA OBRIGATÓRIA a todos os responsáveis por documentos públicos, o "Caderno Técnico" do Projeto Conservação Preventiva em Bibliotecas e Arquivos. Ali são descritos cuidados, técnicas e procedimentos que devem ser adotados em caso de inundação.
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SALVANDO LIVROS
Tenho lido relatos de cartorários e suas providências para salvar o acervo.
Passado o desespero inicial, adotaram práticas tardias, como secar com papel absorvente, folha por folha, encadernando com técnica ligeira e outros procedimentos ingênuos apesar de utilizados por técnicos na área. Cuidado na escolha da solução! Pode ser mais ampla e simples, com menor custo e qualidade superior na encadernação, respeitando a integridade do livro. Não permita que explorem sua aflição com soluções dispendiosas.
PROCEDIMENTOS DE RECUPERAÇÃO
Os procedimentos adotados em Paraitinga, São Paulo, para os livros encharcados em inundação, obtiveram os resultados que a equipe de encadernadores haviam estabelecido.
O livro apresentado pela equipe, apresenta-se limpo, ligeiramente entumecido, tendo sido refilado para limpeza das laterais das folhas, o que é visível pelo pouco espaço de margens. A técnica utilizada para manter as folhas coesas e manuseáveis, foi a de Pasta, que consiste em PERFURAR as folhas e uni-las por parafuso. Logo, não é um Livro e nem um Bloco. A capa é de papelão cinza coberto por vulcapel, com revestimento interno apenas em papel branco, podendo ser visto um exemplar ainda sobre a mesa.
Tendo por critério a resistência do volumoso livro ao manuseio, a Pasta é frágil pelos seguintes motivos: Se guardado em pé na prateleira, os furos vão ceder, as folhas vão se apoiar diretamente na prateleira, as capas vão ficar puídas e o vulcapel vai rasgar na retirada e colocação do livro.
Qualificar o resultado obtido como "restauração", não é apropriado, pois não foram respeitadas as características originais dos livros, provavelmente dos anos de 1950 em diante, tarefa que demandaria maiores conhecimentos da equipe e que jamais seria satisfatoriamente concluida pelas limitações de material adequado às quais todos os encadernadores atuais estão sujeitos.
A técnica que eu utilizo é a de unir as folhas por serrotagem e amarração, utilizando capas tradicionais de material mais resistente, como couro e tecido, que não representam custo muito maior e dão ao conjunto (ainda não um Livro, mas um Bloco) resistência ao manuseio, preservação do conteúdo e longevidade indefinida.

9 de ago. de 2010

Clima seco e o ressecamento de papel e livros

Depois  de enfrentar primavera e verão com alagamentos e elevada umidade do ar, o inverno nos traz dias de clima seco.
Estas situações climáticas extremas produzem efeitos igualmente nocivos para o papel e algum cuidado é necessário.



Para acervos valiosos, como em museus e bibliotecas, a umidade do ar é mantida em torno de 50% graças a cuidados com isolamento do local e sistemas de condicionamento do ar diariamente calibrado por higrômetro.
Contudo, a imensa maioria dos outros livros está guardada em locais comuns, como numa estante em nossa casa, em bibliotecas públicas de grande fluxo de pessoas, em acervos particulares onde o dono prefere os livros expostos nas paredes do que protegidos em uma sala climatizada, em bibliotecas escolares que já fazem muito por simplesmente existirem, em inumeráveis situações e em salas ou armários de cartórios. Como em todos esses ambientes é essencial que o livro esteja ao alcance dos interessados, por comodidade ou praticidade, ficam permanentemente expostos a variações de umidade.
Exemplos extremos
Um livro guardado em sala com intensa circulação de pessoas, num cartório instalado em um casarão antigo de Paranaguá, porto marítimo do Paraná. Está tão úmido que seria possivel torcer e ver gotejar água. A capa de papelão com acabamento em lona está mole e solta, pois a cola orgânica antiga amolece com a umidade. Todas as folhas estão umidas, desde as iniciais até as mais internas. Há amostras de cupins em todos os estágios do inseto: ovos, larvas, cupins adultos e restos de cupins mortos.
Um livro de uma cidade do norte no Paraná está completamente ressecado, com as folhas quebradiças que se partem ao menor descuido, com quase todas apresentando pequenos rasgões na área perto das costuras onde as folhas se dobram quando o livro é aberto.
Dois exemplos extremos de livros sob condições mais ou menos estáveis. Mas essas condições podem ocorrer alternadas numa mesma região, como em Curitiba, por exemplo, onde as estações são bem distintas. Aqui, tivemos primavera e verão com muita chuva e estamos com o outono prometendo ser seco.
Não encontrei nenhum índice que meça a evaporação da celulose, seja no ambiente de umidade e temperatura ideal, seja em condições extremas. Mas a experiência aponta que um papel de media qualidade, guardado em uma estante mais ou menos ventilada, começa a apresentar sinais de oxidação em poucos anos, enquanto os efeitos da umidade ou do ressecamento já são sensíveis alguns dias depois.

Pobres Livros de Cartorio no Interior

Os pobres cartórios do interior sofrem com a falta de mão de obra especializada no restauro e conservação de seus livros oficiais.
Quando muito, dispõem de um esforçado encadernador que também faz os livros contábeis e um ou outro trabalho de monografia, quase nunca tendo oportunidade de trabalhar em livros propriamente ditos. Para todos os trabalhos, usam a mesma técnica simplória e os materiais mais frágeis. Aliás, os encadernadores comerciais das Capitais e das cidades maiores também trabalham assim.
De tempos em tempos, os cartórios recebem propostas de encadernadores de São Paulo ou Santa Catarina, oferecendo seus serviços. Conheço um caso aqui mesmo em Curitiba, na 2ª Circunscrição. Contrataram o serviço, que incluía transporte, estadia e alimentação de duas pessoas, usando dependências do próprio cartório. Imagine-se o custo e o transtorno.
Os livros foram batidos para igualar as folhas, foram furados e amarrados com linha de pesca, colada a lombada com grossa camada de cola sobre os cadernos sem restauro e um pedaço de tecido sobre tudo. A Capa foi feita de folhas duplas de papelão cinza, sem nenhum lixamento, cobertas finalmente por corvim.
Não resta nenhum deles nessa circunscrição, pois estavam caídos das capas e com as folhas partidas pela linha de pesca e refiz todo o acervo faz uns quatro anos. Mas ainda existem muitos por aí. Caros, feitos sem nenhuma técnica e frágeis.
Optar por um serviço desses traz como conseqüência a redução da vida útil do livro.
Além de precários encadernadores locais e dispendiosos encadernadores importados, a única outra saída é recorrer ao meu trabalho.
Mas, como providenciar o transporte seguro dos livros? São documentos únicos e insubstituíveis, sendo impensável pensar que possam ser perdidos.
O primeiro obstáculo é colocado pelo juiz local. Teme tirar o livro da Comarca, pois tem zelo pelo documento.
O seguinte obstáculo é a inexistência de transportadoras que ofereçam garantias totais de que o transporte será feito com cuidado, responsabilidade e eficiência. Fazem triangulações e transbordos, aumentando o risco de imprevistos. Têm a aparência de transportadoras de atacado, tratando todas as mercadorias com igual desinteresse.
O PAPEL DOS CORREIOS
Uma instância que deveria inspirar confiança absoluta é a dos Correios e do SEDEX, mas até hoje não encontrei nenhum titular de cartório que não tremesse diante dessa hipótese. Todos desconfiam dos Correios, alguns tendo tristes experiências pessoais de extravio de documentos e do péssimo estado que chegam ao destino, quando chegam.
Estou tentando obter dos Correios dados estatísticos sobre eventos de extravio, mas não acredito que minhas solicitações sejam atendidas. Uma empresa concessionária de serviços públicos costuma agir com extrema arrogância, julgando-se inamovível de sua posição. Provavelmente, não serei sequer considerado. Se, por acaso, obtiver resposta, vou receber deles uma coletânea de argumentos corporativos, típica de um organismo que se apega à mentiras que inventa e nega o que acontece no nosso mundo real.
Se, desafiando meu pessimismo, os Correios puderem oferecer argumentos que desmintam a imagem de ineficiência e possam prestar um serviço absolutamente sem falhas, serei seu maior divulgador.
Por enquanto, alguns cartorários conseguem me mandar uns livros, com sacrifício e dificuldades. Um, manda pelo prefeito da cidade que, solícito e cooperativo, traz um livro quando vem a Curitiba. Outro, aproveita uma convenção ou uma visita de família, para trazer aqueles livros mais deteriorados.
A grande maioria apenas lamenta não ter como mandar e nem a quem recorrer. Meu conselho a eles é que esperem. Não confiem o livro a nenhum respeitável encadernador. Deixem descansar os livros tão dignamente envelhecidos, contando sua história nas capas puídas e nas folhas amareladas e soltas. Um dia serão salvos, se Deus quiser.
Abaixo, minha tentativa junto aos Correios:
Caro(a) Pedro Malanski
Sua mensagem foi registrada em 13/04/2010 - 12:17 sob o código 6276682.
Agradecemos por utilizar os serviços dos Correios.
O prazo previsto para responder sua manifestação é de até 5 dias úteis.
Entretanto, informamos que poderá ocorrer comprometimento no prazo das respostas, nas seguintes situações:
- Dados incompletos no registro da manifestação;
- Quando identificada falha na prestação do serviço de objeto postado sobre registro, passível de indenização ou restituição de preços postais.
Atenciosamente,
Central de Atendimento dos Clientes dos Correios
Seu(s) questionamento(s) foi (foram):
Senhor administrador.
Realizo trabalho de encadernação e restauro de livros para cartórios de Curitiba. Tenho sido consultado por titulares de cartório do interior do Estado, mas enfrento o problema de transporte desses livros. São livros de tamanho máximo de 60 X 40 centímetros, com uns 10 cm de espessura, pesando, no máximo, 20 quilos.
De grande responsabilidade e insubstituíveis, os cartorários TEMEM CONFIAR ESSE MATERIAL AOS CORREIOS. Falam do estado que as encomendas normalmente chegam, de extravios, de temor generalizado.
Para tentar desmistificar ou esclarecer os cartorários, TENHO ARGUMENTADO que é confiável e rápido, custando pouco. Mas não tenho convencido ninguém.
Peço sua ajuda, informando-me se há alguma estatística sobre extravio ou danos de correspondência.
Se há alguma forma de convencer meus clientes de que o risco é mínimo.
Se existe alguma garantia que os Correios possam fornecer, talvez mesmo uma correspondência de nossa administração estadual que tranquilize esse público.
Se há casos em que o transporte de documentos públicos já é feito.
Tenho deixado de fazer imúmeros livros do interior e os poucos que faço chegam por ajuda de terceiros, de forma que há muitos livros precisando de minha urgente interferência.
Sendo o meu trabalho único, com utilização de técnicas clássicas e materiais nobres, realmente não há outros que possam realiza-lo.
Agradeço muito se puder dedicar um pouco de seu tempo para o assunto, em nome de tantos livros em triste condição.
Há mais informações sobre meu trabalho no BLOG: "CUIDAR DO LIVRO".
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Esta é uma mensagem automática. Por favor, não a responda. Caso queira contatar os Correios ou registrar uma nova manifestação, utilize os canais abaixo:
Internet: www.correios.com.br
Pesquisei superficialmente o tema "correios*reclamações*acidentes*extravio" e a quantidade de eventos  é enorme. Notíciais de hoje, dia 17 de abril, apontam que houve 850 ocorrências no PROCON de São Paulo. Uma delas, de um LUTHIER que encaminhou um instrumento de sua autoria e foi parar em outro lugar.
Já estou desistindo.

DIÁRIO DOS CORREIOS
Hoje é 23 de Abril, quase dez dia depois de minha tentativa inicial. Nenhuma resposta dos Correios.
Parece que eles se prestam mais a fazer entrega para contrabando, remédios sem receita e papéis absolutamente irrelevantes. É engraçado: uma empresa que deveria zelar, acima de tudo, pela sua credibilidade, não ser digna de confiança. Mais irônico ainda, é que podem estar pensando numa "grande campanha publicitária que resgate a credibilidade dos Correios perante a população".
Dia 27 de Abril, SILÊNCIO.
Remeti via SEDEX um livro no formato 60 X 45 cm, pesando 14 quilos, para uma cidade do interior do Paraná. Custou R$34,10, com código de rastramento.
Resolvemos acreditar na qualidade dos Correios no nosso Estado.
Dia 28 de Abril.
Recebi um livro formato 60 X 45 cm. postado ontem do interior. Chegou rápido e em perfeito estado.
Ponto para o SEDEX.
Contudo, jamais obtive resposta ao meu questionamento.

Tenho realizado inúmeros trabalhos para o interior do Paraná, e para São Paulo, capital e interior, usando o SEDEX.
Nunca houve qualquer atraso ou acidente.