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6 de dez. de 2017

Réquiem para um livro mutilado

Há somente uma maneira de reparar e encadernar livros:

Com muito trabalho e com a melhor técnica.

Qualquer outra forma resulta em livros mutilados. Esta semana apareceu este pobre livro.

A capa foi feita com baixos padrões, material frágil e sem nenhum tipo de reforço. Não foi feito há muito tempo, talvez uns quatro anos atrás, no máximo.


O ato criminoso foi praticado no miolo do livro. Pois foi simplesmente guilhotinado na dobra dos cadernos.


E depois furado com furadeira elétrica e amarrado. Vejam como as margens internas ficaram reduzidas.


Desta forma, já não é mais um "livro", mas apenas um bloco de folhas soltas.

d

Agora, se tentar juntar as folhas e formar cadernos novamente, com uma fita de papel vegetal fino unindo as folhas, por exemplo, vai ficar um volume enorme de mais de 150 fitas dobradas, pois é um livro de 300 folhas.

É de chorar ver esse tipo de dano causado a um livro.

E não tem desculpa para o que foi feito. O papel ainda estava inteiro, com alguma oxidação mas ainda maleável.

O encadernador desconhece as técnicas e não tem nenhum respeito pelo material.

O titular do cartório permitiu que esse desastre acontecesse por desinteresse, ignorância ou mera economia.

É uma pena.

Aqui, marca d'água do fabricante do papel, em 1925.


O pior de tudo é que, certamente, este tipo de crime continua sendo cometido, mesmo nesse momento, em mais de um lugar neste Brasil.

27 de set. de 2017

O maior inimigo do livro

O maior inimigo de um livro é um encadernador sem técnica.

O Tempo não é inimigo do livro, pois o Tempo valoriza a obra bem feita e passa pelo livro naturalmente.

As Pessoas não são os piores inimigos do livro, pois mesmo o manuseio mais descuidado apenas revela a utilidade e o interesse das pessoas pelo conteúdo do livro.

O maior inimigo de um livro é um encadernador ruim, preguiçoso, mesquinho e desrespeitoso.



Vejam estes livros.

São três livros, datados de 1893 a 1914, com marca d'água AL MASSO, que sofreram uma interferência desastrosa de alguém que CORTOU OS CADERNOS! Em seguida serrou as folhas para somente amarrar, fazendo diversos pequenos cortes talvez para penetração de sua cola. E USOU COLA DE SAPATEIRO!!!!


Transformou o livro em um BLOCO.
Não restaurou as folhas
 e guilhotinou os quatro lados do livro.


Este outro livro, também de 1914, passou por uma interferência razoável talvez nos anos 1960 e apresenta os cadernos ainda intactos.

Aquele que se diz encadernador faz um trabalho tão precário que destrói e mutila um livro e ainda tem coragem de cobrar por isso.

Tenho restaurado e encadernado livros antigos, velhos e recentes.

Quando um livro nunca sofreu nenhuma interferência o trabalho é muito fácil. Basta reparar os rasgados, reforçar as dobras de cada caderno, costurar os cadernos, elaborar a capa e o trabalho está feito.

Mas a maioria dos livros que tenho restaurado já passaram por mãos sem conhecimento e habilidade.

Estão sem nenhum restauro ou reparo das folhas. Estão serrados e amarrados. Cola foi aplicada em cima das dobras rasgadas dos cadernos, penetrando mais profundamente ainda, sendo penoso e danoso desmembrar os cadernos.

Esses livros estão simplesmente guilhotinados, com redução das margens e até com perda de texto, pois alguém não teve o capricho de reparar as avarias e manter o livro íntegro. Muitas vezes completamente torto!

O mau encadernador é capaz de muitos outros erros, como usar fita adesiva e mesmo fita crepe, jogar fora as etiquetas do fabricante original e as capas originais e as orelhas do livro, usar capas muito maiores do que o livro, colar o lombo falso na lombada interna do livro, costurar os cadernos sem serrotar o cortando o papel com a agulha, usar cola de sapateiro em material sintético e a cola se transforma em óleo e se desfaz.

O mau encadernador é um pesadelo para o livro e um pesadelo para o encadernador técnico e competente que depois precisa primeiro desfazer todos os erros cometidos para só então poder fazer o bom trabalho.

E vou dizer em desabafo:

NUNCA ENCONTREI NENHUMA ENCADERNAÇÃO PELO MENOS RAZOÁVEL EM TODOS OS MEUS ANOS DE TRABALHO.

Nunca me deparei com um livro bem refeito, seja de livros de São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina ou Paraná. Lugares onde já atuei. Todos sempre precários, errados, feios e criminosos. Todos de uma pobreza atroz.

Sendo assim: PRENSA NELES.


19 de mai. de 2015

Capa Dura e Encadernação Clássica - Diferenças

Diferenças entre a técnica de “CAPA DURA COMERCIAL” e ENCADERNAÇÃO CLÁSSICA de folhas soltas.

No trabalho de encadernador e restaurador clássico, também tenho feito encadernações mais simples com material sintético. Comecei por insistência de clientes.

Depois de restaurar todo o acervo de livros manuscritos antigos e em todos os outros livros cuja importância merecia o uso de couro, sobraram aqueles livros menos manuseados mas de conservação obrigatória e por tempo indefinido. Justamente os livros recentes feitos por impressora, em folhas soltas no formato ofício A4.

A bem da verdade, não é correto denominar esses volumes de "livros”, sendo muito menos apropriado denominar o trabalho como de “encadernação”. Como são FOLHAS SOLTAS, o correto é chamar de “BLOCAGEM”.
Miolo pronto de blocagem de folhas soltas


Encadernar é costurar cadernos. O resto é enganação de cursinhos rápidos.

A técnica comum usada nestes volumes é a mais simples e básica. É utilizada em volumes para monografias, teses, trabalhos de conclusão de curso, livros contábeis e qualquer outro que envolva folhas soltas.

É mais conhecida como CAPA DURA, por óbvias razões, sendo amplamente utilizada na encadernação comercial.

Sob o ponto de vista da encadernação clássica é a “técnica sem nenhuma técnica” , a “encadernação bastarda” e a desvalorização do trabalho de encadernador, pois custam muito pouco e duram muito menos.

Aplicando técnicas de encadernação clássica ao trabalho de Blocagem de Folhas Soltas, acabei por consolidar um conjunto de procedimentos que resultam em livros mais duráveis, muito mais resistentes e até mais bonitos, apesar de usar quase os mesmos materiais da CAPA DURA.

E pretendo descrever cada etapa do processo.

  

1 - Miolo


Miolo ou as folhas soltas do livro propriamente dito.

Organizo as folhas e acrescento duas folhas em branco no início e no fim do livro, do mesmo tipo e marca do volume. Com o tempo as folhas evaporam e amarelam por igual. Servem para proteger as primeiras e últimas folhas do livro em si, evitando que amassem, sanfonem ou manchem por proximidade com a cola e o papelão da capa..


E, MUITO importante: Jamais uso guilhotina, nunca refilo os lados das folhas. Jamais!

O outro método não acrescenta nenhuma folha.

2 – Amarrando as folhas soltas


Faço serroteado, com SETE cortes, os primeiros de cada
Serrotado e amarrado, com tira de tecido  
lado inclinados em direção ao centro do livro.

Aplico cola em toda a lombada. Faço amarração dupla. Aplico novamente cola. Reforço a lombada com diversas camadas de tiras de papel e finalizo com uma tira de papel marmorizado.

A outra técnica apenas fura quatro ou cinco vezes com furadeira elétrica e amarra, passando cola na lombada.

3 – Reforço de Tecido

serrotado, com folha de guarda e tecido e arrematado

Insiro uma tira de tecido fino e não sintético na amarração próxima à cabeça e outra próxima ao pé do livro.

Este detalhe é o que realmente segura o miolo à capa, impedindo que o miolo caia ou que a folha de guarda se rasgue.

A técnica comercial não usa nenhum reforço.


4 - Colocação da Folha de Guarda

tres fases vistas pela lombada

Sempre passando cola, faço a tira de tecido ficar por cima da folha de guarda, que é profundamente colada sobre os fios de amarração.

A técnica comercial apenas cola a folha de guarda diretamente sobre a primeira folha que faz parte do livro, sem nenhum reforço.

5 – Corte da Capa


Corto o papelão da capa com cerca de tres milímetros a mais do que o miolo nos tres lados. Corto o lado ao longo da lombada com cinco milímetros a menos do que o miolo e faço um pequeno corte nos cantos internos, ou lado esquerdo, da capa.

A técnica comercial corta o papelão muito maior, não deixa espaço perto da lombada e nenhum corte nos cantos.




capas lixadas, unidas e lombada falsa

6 – Lixamento do Papelão


Lixo todos os OITO LADOS OU BEIRADAS e os quatro cantos do papelão.

Não deixo nenhuma superfície cortante e arredondo os lados, para que o material de acabamento envolva perfeitamente o papelão e a cola penetre em toda a superfície. Assim o material de acabamento não sofre dano resultante do fio cortante do papelão.

Para a encadernação comercial, lixar as bordas do papelão é perda de tempo.

7 – Lombada Falsa


Uso sempre apenas uma tira de papelão tipo kraft até 350 gr. para fazer qualquer lombada falsa, independente do tamanho do livro. Fica mais maleável e não força o material de acabamento.

A encadernação comercial usa lombadas falsas da mesma espessura do papelão das capas. Tentam disfarçar outras imperfeições, dando a ilusão de solidez, mas apenas serve para dificultar a ação de abertura, provocando um efeito de alavanca que desgasta e rasga o material de acabamento.

8 –Capa


O método “a la Brandel”, ou fazer encadernação do miolo e da capa em separado e depois juntar é o único usado na encadernação comercial. É mais rápido e prático.

Tiro as medidas da capa no miolo e junto as duas capas e a lombada falsa através de uma tira de papel kraft fino.
interior da capa, note-se o empastelamento


O papel kraft tem fibras longas e resistentes, mas é muito ácido e seu uso deve ser limitado em áreas que não atinjam as folhas brancas do volume, que ficariam manchadas em pouco tempo.

Neste momento, se o volume é muito grande, colo uma tira de tecido por dentro da capa, na cabeça e no pé da lombada.


Em tempo, o papelão deve ser empastelado, ou seja, passar cola aguada no lado de dentro do papelão e colar uma folha de papel, para prevenir o empenamento.

A encadernação comercial mede as distãncias e cola o papelão e a lombada falsa diretamente no material de acabamento, que pode ser vulcapel, tecido ou papel fantasia. Não usa nenhum reforço.


Finalizando


A partir desse estágio, só falta aplicar o material de acabamento. Uso frequentemente o Vulcapel, que é apenas uma folha de papel com uma camada de plástico colorido. É muito frágil e perde o brilho em curto prazo, mas pelo menos é lavável.


São estas as principais diferenças 

entre os livros que faço e aqueles feitos 

por qualquer outro encadernador. 

Como qualquer trabalho de qualidade, exige mais tempo de mão de obra e um ou outro material diferente, custando apenas um pouco a mais do que os trabalhos comuns.

Mas é assim que qualquer encadernador deveria trabalhar, Com mais conhecimento. Com técnica mais apurada. Com respeito pelos livros que recebe.

O cliente não pode ser enganado com encadernações que se desfazem logo que são colocadas na prateleira, que não resistem ao mais simples manuseio e que nem sequer ficam em pé sem apoio.

Toda essa técnica está descrita e prescrita no meu trabalho de NORMAS TÉCNICAS DE ENCADERNAÇÃO que tenho oferecido e sugerido que seja adotada para o bem dos livros, para tranquilidade dos clientes e, principalmente, para valorização do trabalho do encadernador.



Atelier. Como fotografar sem todo esse reflexo nos vidros...


30 de mar. de 2015

Relação de Clientes de Encadernação e Restauro

Minha atividade de restaurador de livros e encadernador clássico
começou profissionalmente no começo do ano 2001.
Antes disso, desde 1981, fazia o mesmo trabalho de forma amadora, principalmente junto a bibliófilos e colecionadores. Encadernava livros em troca de livros, pesquisando e praticando as boas técnicas clássicas com o auxílio do livro de Zelina Castello Branco, "Encadernação".
O trabalho de restauro e encadernação de livros em geral não tem muita procura. Não é caro, mas assim mesmo é muito raro que eu faça livros técnicos, de literatura ou mesmo livros de considerável valor bibliográfico ou histórico. De vez em quando sou procurado para fazer uma bíblia. 
Desta forma, encontro poucas oportunidades para exercer a técnica de encadernação clássica em toda sua plenitude.
O único mercado que se mostrou promissor foi o de livros oficiais, pois em cartórios, tabeliães e registro de imóveis, livros são documentos únicos, insubstituíveis e de valor inestimável. Como são manuseados diariamente precisam ser bem construídos, usando técnicas e materiais que garantam a integridade e a longevidade do livros. A encadernação comercial comum não oferece nenhum desses benefícios. 
Como fui contador de cartórios durante quase 20 anos, gozo da confiança de alguns deles e assim comecei a atividade profissional,

Em 14 anos de trabalho, milhares de livros.  

Até hoje, já fiz TODO O ACERVO dos seguintes clientes:


3a. Circunscrição do Registro de Imóveis de Curitiba
4a. Circunscrição do Registro de Imóveis de Curitiba
2a. Circunscrição do Registro de Imóveis de Curitiba
6a. Circunscrição do Registro de Imóveis de Curitiba
Registro de Imóveis de Paranaguá, Paraná
Cartório da Barreirinha em Curitiba
Cartório de Santa Felicidade em Curitiba
Cartório Mercês em Curitiba
Cartório do Taboão em Curitiba
1o. Ofício, Cartório Leão em Curitiba
3o. Ofício do Registro Civil em Curitiba
Cartório de Santa Quiéria, em Curitiba
Cartório de Pinhais, Paraná
Cartório de Piraquara, Paraná
Cartório de Pedro Osório, Rio Grande do Sul
Cartório de Herval, Rio Grande do Sul
Cartório de Taiaçu, São Paulo
Cartório de Jaguarão, Rio Grande do Sul 

Também fiz parte do acervo de alguns clientes no Interior do Paraná, de São Paulo e de Santa Catarina, que enfrentaram a distância e contaram com a compreensão dos seus Juízes Corregedores para retirar os livros da Comarca e providenciar o restauro tão necessário. Cito alguns:


Registro de Imóveis de Cambará
Registro Civil de Murutinga do Sul
Registro Civil de Lucélia
Cartório de Farol
Cartório de São João do Triunfo

Além desses, há outros que não tiveram fôlego ou interesse em fazer todo o acervo, limitando-se a fazer alguns livros mais deteriorados. Realmente, é essencial que esteja implícito o senso de responsabilidade e o bom gosto para a conservação dos importantes documentos públicos.

Um trabalho diferente foi junto à Fundação Poty Lazzarotto, onde encadernei documentos, livros e papéis deixados pelo artista plástico curitibano, sob os cuidados de João Lazzarotto.

A arte é a base, o artesanato é a aplicação das mesmas técnicas e materiais a um grande número de peças.

Neste últimos anos, tenho sido o que sempre desejei ser, fazendo o que me dá enorme prazer e satisfazendo completamente meus clientes, pois vou muito além de suas melhores expectativas ao oferecer os benefícios dessa arte desconhecida para a esmagadora maioria das pessoas, a boa e velha Encadernação Clássica.



60 livros recebidos do Rio Grande do Sul

livros desmontados prontas para iniciar o restauro.


livro 61 x 43 cm e dois 41 x 25 cm

de 1876 em diante


24 de jul. de 2014

Digitalizando livros de cartório: CUIDADO!

Ainda hoje, conheci um cartório da região de Curitiba, onde me apresentei para restaurar e encadernar seus livros. 

Conversando, contou-me que vai precisar digitalizar todos os livros, por exigência do Juiz Corregedor.
E que precisa desmontar os livros e reencadernar. Inclusive, a empresa contratada vai fazer todo o serviço.
Isto é um erro e um perigo para os livros.

É desnecessário desmontar e encadernar novamente, pois existem equipamentos de digitalização que cumprem a tarefa e que já foram usados com sucesso em outros cartórios.
Com o SCANER DOBRAVEL, com um "braço flexível que pode ser montado em uma mesa e ser ajustado para qualquer tamanho de livro, por exemplo, que é pequeno, prático e eficiente, existindo muitos modelos no mercado, o próprio cartório pode fazer o trabalho.

Temo que as empresas que oferecem o serviço de digitalização não tenham conhecimento para encadernar os livros. Além disso, representam um custo de cerca de R$.0,49 POR DOCUMENTO.

Podem cometer os erros comuns do encadernador comercial, entre eles:

1- Dilacerar os livros na desmontagem;
2 - Perder fragmentos ou pedaços dos livros manuscritados antigos;
3 - Desprezar detalhes históricos do livro, como etiqueta de fabricantes, amostras de material original, etc.;
4 - Apenas amarrar as folhas, na re-encadernação sem restauro;
5 - Refilar ou guilhotinar no mínimo um centímetro dos lados dos livros, para retirar partes irregulares, perdendo texto e averbações;
6 - Utilizar material de acabamento frágil.

É preciso que esses procedimentos sejam denunciados para que sejam evitados.

Outro detalhe importante é quanto às constantes digitalizações que serão necessárias a cada nova Averbação nos registros.

Para atender à demanda diária do Cartório, os livros teriam que ser sempre encaminhados para a digitalização. Com uma máquina no próprio local, isso pode ser feito rotineiramente no próprio cartório.

  Um trabalho amador pode custar caro e prejudicar os documentos públicos.

Contem com minha assessoria sem nenhum custo para encontrar a melhor solução para digitalização do acervo do cartório, com mínima despesa, total segurança e respeito aos documentos.

Pois os livros continuarão sendo a única forma de registro perene, que não podem ser impunemente fraudados e que tem inquestionável fé jurídica e legal.

10 de abr. de 2012

Dicas Para Conservação de Livros

Livro é um objeto frágil.
*
O prosaico ato de ler já contribui para sua deterioração, graças à precariedade da indústria gráfica e a falta de padrões dos editores. 

Começando pela análise do papel, normalmente é de baixa qualidade, comprovável pela alta porosidade causada pela economia de agente agregador da massa de celulose, resultando em evaporação acelerada e pouca resistência à umidade e fungos.
Fazem grande economia de margens, tanto nas bordas internas quanto nas externas, resultando que o leitor tem que forçar a abertura e assim deforma o livro. As colas usadas são de alta acidez, soltando-se e ficando quebradiças já na primeira leitura.

As capas são precárias. Enrolam para fora e soltam-se do miolo do livro, sem mencionar que aquelas bonitas letras douradas dos livros do Harry Potter e da série Crepúsculo somem em pouco tempo por força da fricção.

Para mitigar um pouco o sofrimento deles, passo umas dicas de conservação.

FUNGOS EM LIVROS DE COURO

Limpe o couro com um pano umedecido em detergente tipo "veja" multi-uso diluído 50/50, em seguida friccione o remédio VODOL (nitrato de micozanol) líquido. A receita serve para qualquer objeto de couro ou papel.

HIDRATAÇÃO DO COURO

Limpe o couro da mesma forma acima, depois use hidratante normal, tipo Vasenol, Nívea, etc., passando com uma esponja ou um pedaço de pano limpo. 

Se tiver sinais de fungo, acrescente Vodol creme ou líquido e hidrate com essa mistura.

LAVANDO O LIVRO

Se comprou um livro no sebo, ou se emprestou para alguém e voltou sujo, ou se emprestou um livro sujo de alguém, ou seus livros estão sujos mesmo, pode lavar as capas que sejam plastificadas ou de papel couchet. 

Use detergente multi-uso dliluído 50/50, mergulhe o pano no recipiente, torça bem e esfregue rapidamente até tirar toda a gordura e sujeira da capa. 
Pode passar de leve no alto das folhas se estiverem muito sujas. 
Em seguida passe um pano seco e limpo. Aqueles livros de capa dura do Clube do Livro são inteiramente laváveis. Siga sempre mergulhando o pano na solução de detergente e torcendo bem.

PASSANDO CERA DE ABELHA

Se há um elemento inestimável para conservação de livros, é a bendita cera de abelha. Possui incríveis propriedades anti-fungo e anti-mofo, também mantendo distante cupins, traças e brocas. 

Uso principamente para encerar os fios de costura do livro.
Mas também pode ser usada com sucesso para:

1) esfregar em manchas de fungo e mofo das folhas;

2) esfregar na parte superior das folhas com livro bem fechado;

3) encerar as capas de livros antigos, garantindo às folhas ressecadas e porosas um pouco de proteção.

Vale a pena passar numa loja de material de construção, daquelas antigas onde tem de tudo, e comprar umas gramas de cera. É muito barato e dura muito tempo. Se tem casa algum objeto de madeira com aquela cultura de fungo verde, lave e passe a cera. Fica livre do fungo e bonito.



O Manuseio do Livro

Os critérios para manusear um livro são determinantes para uma maior vida útil e de sua permanência no acervo. Recomenda-se portanto, a adoção de normas e procedimentos básicos, como por exemplo o treinamento de pessoal, que contribui consideravelmente para a conservação preventiva do acervo, seja pequeno e estimado ou grande e inestimável.

♦ Não manusear livros ou documentos com as mãos sujas, lavando as mãos após cada refeição.
♦ Não manter plantas aquáticas, guarda-chuvas e capas molhadas junto às prateleiras.
♦ Em dias muito úmidos, evitar abrir as janelas.
♦ Não fumar nem consumir alimentos perto dos livros.
♦ Não usar fitas adesivas, durex de qualquer tipo, colas plásticas, grampos ou clipes metálicos nas folhas e documentos guardados nos livros.
♦ Não dobrar os cantos das páginas (orelhas), pois ocasiona o amolecimento e rompimento das fibras. Nunca virar as páginas segurando pelos cantos.
♦ Usar marcadores próprios, finos, evitando efetuar marcas e dobras.
♦ Não retirar o livro da estante puxando pela borda superior da lombada.
♦ Os livros devem permanecer em posição vertical, em pé. Nunca acondicioná-los com a lombada para baixo ou para cima.
♦ Nunca manter os livros muito compactados nas estantes.
♦ Fazer o transporte dos livros individualmente.
♦ Nunca umedecer os dedos para virar as páginas do livro. O ideal é virar pela parte superior da folha, procurando a página e abrindo todas as folhas de uma só vez.
♦ Não apoiar os cotovelos sobre os volumes de grande porte durante a leitura.
♦ Não fazer anotações, particulares ou profissionais, em papéis avulsos e colocá-los entre as páginas de um livro. Eles deixam marcas e permitem a penetração de sujeira e umidade.
♦ Evitar forçar a abertura para tirar cópias de livros. Esta prática danifica não só a encadernação como também o papel.
♦ Não utilizar espanador e produtos químicos para a limpeza do acervo e a área física da biblioteca, use trincha em local afastado das estantes. Para evitar a distribuição de poeira sobre os volumes, o piso deverá ser limpo com pano úmido.

A ilustração do “Livro Monstro de Harry Potter”?

Ora, o segredo para o livro não morder é: sempre tratá-lo com carinho.

11 de nov. de 2011

Técnica de Encadernação - A Capa


Técnica de Encadernação

A Capa

Um dos elementos mais evidentes em qualquer encadernação clássica, é o papelão para as capas.
Originalmente as capas dos livros eram feitas de pranchas de madeira ao natural ou recobertas de materiais nobres, como couro, linho, pergaminho, velino, ferros decorativos e placas de metais nobres.
Com a popularização do livro e suas diversas conseqüências, entre elas, a logística, o barateamento e o processo inteiramente industrial para fabricação do livro, o papelão foi adotado como elemento da capa e persiste sendo usado até hoje.
Há diversos tipos atualmente à disposição.

O Papelão Cinza

O “papelão cinza” feito de celulose e a partir da polpa de pinus eliotis é o mais utilizado na encadernação “comercial”. É muito ácido, de qualidade que vai de regular a péssima, conforme seu fabricante e mesmo conforme a variação de humor do mesmo fabricante.
Assim como acontece com o papel, a qualidade vem se perdendo. A massa recebe cada vez menos colas aglutinantes e o papelão se apresenta cada dia que passa mais poroso e mole, o que se pode constatar ao primeiro olhar,  pois sua cor é mais para um azul claro ou um cinza claro, do que o velho e bom cinza escuro de antigamente.
Afianço que não uso esse tipo de papelão.

O Papelão Couro

Assim chamado por sua cor castanha, marrom claro, é feito de cascas de arroz ou trigo. Gosto de usar esse material por ser mais denso do que o cinza. Realmente é duro e resistente à deformidade. Também sofre variações de qualidade, com mais ou menos cola aglutinante, pois tenho pedaços mais antigos que são muito mais densos do que aquele que acabei de comprar. Coisas do baixo controle de qualidade e da falta de padrão de nossa brava indústria nacional.
Esse papelão permite capas mais finas, mas muito mais firmes e resistentes do que o papelão cinza, o que é uma característica útil quando se pretende economizar espaço em uma prateleira.
Regra de Ouro para usar o Papelão

Ao cortar o pedaço de papelão para o livro, verificar sua tendência de empenamento. O papelão tende a dobrar-se e empenar sempre na direção do lado de baixo, onde houve maior acúmulo de cola durante a prensagem, quando foi fabricado. É um pouco mais liso ou um pouco mais escuro do que o outro lado.
Se errar de lado, o papelão vai vergar ou empenar para fora e o livro vai ficar com aquelas asas estranhas, principalmente quando a umidade ambiente estiver baixa.
  
O Preparo do Papelão para as Capas

Escolhido o lado, o papelão deve ser lixado em todos os seus 12 LADOS.
Pois cada pedaço de papelão tem mesmo DOZE LADOS: os quatro lados da frente, os quatro lados do verso e os quatro cantos.
Os lados ou cantos da frente ou parte de cima da capa, devem ser lixados até que as bordas fiquem bem arredondadas, na proporção da grossura do papelão ou para alcançar o efeito desejado pelo encadernador.
Os lados de dentro podem ser lixados apenas o suficiente para tirar o fio cortante que ficou depois do corte do papelão, ou ainda conforme o efeito que o encadernador quiser obter.
Os cantos internos, perto da lombada, devem ser cortados em alguns milímetros e lixados. Esse corte impede que o canto “morda” o couro e cause um efeito de alavanca que força a lombada.
Os cantos à direita devem ser arredondados.


Capa lixada e lixas


Material para Lixamento

Costumo usar lixas grossas, coladas em um pedaço de papelão que caiba em minha mão.
É uma fase bem trabalhosa da encadernação, mas resulta em um todo mais orgânico, mais ergonômico, que não corta o material de acabamento. Muito da aparência de "antigo" de alguns livros, deve-se ao detalhe do arredondamento das capas por lixamento. Infelizmente essa foi uma - das muitas - boa técnica abandonada por dar mais trabalho ou que foi simplesmente esquecida pela encadernação comercial.


Enfim

Aprendi esse detalhe da boa técnica no livro “Encadernação” da grande mestra Zelina Castelo Branco e desde então nunca fiz um livro que não fosse trabalhado dessa forma, seja ele o mais simples livro de cartório ou o mais precioso livro raro.
Sempre experimentando, encadernei esse mesmo livro com capas exageradamente grossas e lixando o máximo. Como detalhe, usei lixa envolvendo um cano de metal para fazer as depressões nos lados.

Canto interno, cortado e arredondado
Cantos direitos arredondados






















"Encadernação", de Zelina Castello Branco, ficou assim
 

22 de jul. de 2011

Livros com BHC e DDT - Um Alerta!

ALERTA AOS TITULARES E EMPREGADOS DE CARTÓRIOS
O PERIGO DE LIVROS CONTAMINADOS


Num post anterior, abordei o assunto da contaminação de bibliotecas por agentes tóxicos, principalmente o BHC e o DDT. Fui genérico na abordagem e citei casos reais, mas o problema é mais específico, exigindo ação urgente.

Em minha atividade já encontrei alguns exemplares de livros que apresentavam leves resquícios de contaminação, principalmente por se tratar de exemplares onde um encadernador anterior já havia trabalhado. Assim, as capas originais já haviam sido retiradas e as folhas refiladas, locais onde se concentrava a maior parte do pó de BHC ou do DDT.
*
No momento, estou atuando num acervo de livros de cartório que nunca sofreram interferência e tenho encontrado grandes quantidades do material tóxico ainda presentes. São livros de cartório antigos, desde 1898. Em algum momento entre os anos 60 e 80, foi utilizada generosa quantidade de pó de BHC para eliminar os cupins e brocas dos livros. Este pó foi aplicado principalmente na lombada, por dentro da capa, permanecendo ali até hoje.
Nesta semana, ao desfazer um desses livros para o restauro,encontrei uma quantidade exagerada de pó de BHC entre as folhas e no interior da lombada. O cheiro e a cor ainda eram os caracteristicos do produto. Apesar de imediatamente tomar precauções ainda sinto os efeitos do veneno nos lábios, que estão levemente inchados. O BHC e o DDT tem efeito residual indeterminado e podem permanecer com a mesma toxicidade indefinidamente.
*
Fatalmente, cada vez que alguém consulta um desses livros, termina por fazer contato com o pó, pois mesmo os mais antigos são obrigatoriamente consultados para a emissão de certidões e anotação de averbações, fato que ocorre diariamente nesse cartório e em qualquer outro.
*
Os danos à saúde são imediatos, bastando um só contato para fazer mal à mucosa bucal e nasal. O contato prolongado e diário provoca lesões profundas no organismo humano e doenças normalmente fatais, como o câncer. Há estudos extensos, disponíveis à mais superficial pesquisa.
*
Portanto é preciso reconhecer que o problema existe em muitos cartórios por esse Brasil afora e tomar providências para salvaguardar a saúde das pessoas que manipulam esses livros e qualquer pessoa que frequente o ambiente. O pó é volátil, se espalha por todo o ambiente com facilidade a cada manuseio e é danoso mesmo em pequenas quantidades.
*
O alerta serve principalmente aos novos titulares de cartório que estão assumindo cargos por concurso e que não tem conhecimento da história do cartório.
Seria crucial saber da incidência de doenças respiratórias, de alergias e mesmo do histórico de pessoas ligadas ao cartorio que desenvolveram câncer. Infelizmente, os resultados de uma pesquisa dessa natureza iriam revelar que há coincidências.
* 
Porém, há um problema de ordem prática: esses livros são documentos públicos que devem ser usados regularmente pelo cartório e não podem ser simplesmente INTERDITADOS, como nos obrigaria o bom senso.
O uso de máscaras, luvas, roupas e toucas para manipular com segurança um livro infectado é inviável para qualquer cartório, não sendo nem um pouco eficientes.
*
Resta o recurso de proceder a limpeza do livro por profissional, eliminado as capas antigas e o excesso de veneno.
Em seguida, os livros devem ser digitalizados para consulta futura e guardados em embalagens plásticas, fora do alcance de todos e ficando disponíveis apenas para verificações que sejam justificadamente necessárias e com todos os cuidados possíveis.
Tal providência é urgente e necessária.
*
 Há um bom estudo sobre o assunto no artigo DDT (DICLORO DIFENIL TRICLOROETANO): TOXICIDADE E CONTAMINAÇÃO AMBIENTAL - UMA REVISÃO
*
É um assunto sério e que deve ser enfrentado para preservar a SAUDE e mesmo a VIDA das pessoas.
*
E podem me chamar de "Doutor Livro" se lhes aprouver, mas o assunto é sério.
*
Outros links
Blog do servidor público
Brasil Escola

26 de jun. de 2011

Cuidados com os livros no clima seco

Neste inverno, o clima promete ser frio e seco na região sul e centro-oeste.
O papel sofre com a ação do clima seco, muito mais intensamente do que com o clima húmido.
Para minimizar o processo de ressecamento, seria ideal que fossem mantidos em ambiente controlado, com a Temperatura entre 16º C e 21º C e Humidade Relativa entre 45% e 60%, mas não conheço quem se disponha a esse cuidado, que é dispendioso e impraticável, pois os livros são de manuseio intenso.
Não pretendo abordar a conservação de livros em museus e bibliotecas de raridades inestimáveis, que utilizam maquinaria pesada, procedimentos técnicos avançados e pessoal qualificado.
Os cartorários e os felizes leitores podem pelo menos adotar a seguinte precaução:

1 - Manter o livro em pé

Para oferecer a menor área possível à ação do tempo, o livro deve ser posto sempre em pé, junto a outros livros de tamanho semelhante e levemente apertados uns contra os outros.
Muitos cartórios têm cometido o erro de guardar os livros deitados, seja por estarem muito deteriorados ou simplesmente para facilitar o manuseio de livros muito pesados.
Oferecendo muita área a ação do clima, as folhas do livro entumecem (incham) com a humidade e ressecam com o tempo seco, ficando cada dia mais onduladas e separadas umas das outras. Nesta posição, o processo normal de evaporação da celulose é bastante acelerado, permitindo a entrada de poeira e tornando o papel quebradiço muito rapidamente.
Em pé.oferece apenas a superfície do alto do livro.
Tenho trabalhado livros de 1960 em adiantado estado de ressecamento e com as folhas sujas de poeira, resultado da guarda inadequada. Muito acabados para a idade.
Portanto, seja qual for o estado do livro, mantenha-o sempre em pé e apertado entre outros livros.



21 de mar. de 2011

Salvando Livros de Inundação

Melhorei esse post depois de colaborar na Revista Superinteressante,edição de Junho/2011, sobre o tema: 

Recuperação de Livros Molhados
Livros Salvos de Inundação
Secagem de Livros Oficiais 
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Com as inundações flagelando tanta gente nesse ano de 2011, resolvi dar uma repaginada nesse post, tornando-o mais prático.
 
São muitos os eventos que podem desencadear a inundação de um acervo de livros. Problemas de encanamento, ar condicionado defeituoso, goteiras e infiltração do apartamento vizinho afetam os livros de forma superficial e quase sempre de forma localizada. Contudo, as inundações que tem ocorrido em muitas regiões nesta temporada tem atingido acervos de bibliotecas e cartórios. As bibliotecas são constituídas de livros comuns que podem ser repostos, mesmo se esses livros são livros raros ou dispendiosos. Mas os cartórios guardam documentos importantes, os registros públicos únicos e insubstituíveis.
Em qualquer caso, o tempo é essencial para salvar o acervo.
A água pode causar danos desproporcionais à quantidade. Misturada a terra e sujeira, encharca o papel, devendo ser desinfetado para futuro manuseio. O bolor forma-se normalmente a uma temperatura a partir de 21ºC e umidade relativa de 65%, mas pode formar-se em menos de 48 horas depois de uma inundação.


Mas não é apenas o bolor que representa problema. Numa inundação tudo é contaminado por outras pragas, sujeira e bactérias. Mesmo na água que por acaso escorre de um aparelho de ar condicionado que funciona mal ou de uma goteira do telhado pode haver urina de rato. Assim, podem causar doenças sérias com danos à saúde e até mesmo a morte.


Portanto, em primeiro lugar, avalie com critério rígido o que TEM QUE SER RECUPERADO. É preferível PERDER UM LIVRO OU QUALQUER OUTRO OBJETO do que manuseá-lo demais, MESMO COM PROTEÇÃO. Porisso indico o congelamento: não exige muito manuseio.


Se você tiver recursos, se o material é imprescindível, como no caso de Cartórios, siga os seguintes procedimentos:


1-Parar o fluxo de água e afastar a água da zona infectada;
2-Garantir a segurança do pessoal que entra na zona inundada com água parada, usando botas impermeáveis e nunca manuseando os livros atingidos sem proteção de luva de borracha;
3-Retirar o material molhado da zona inundada de maneira ordenada;
4-Pressionar cada livro para retirar o excesso de água, guardar em engradados plásticos com empilhamento de 30 cm no máximo, se muitos, em bacias ou recipientes plásticos abertos e levar para congelamento;
4-Iniciar o processo de Congelamento ou secar o material dentro de 24 horas, com gelo, secagem à vácuo, ou à mão;


Para livros ou qualquer objeto de papel, como álbuns, documentos soltos, deve ser usado o compartimento de congelamento de um refrigerador frost-free caseiro, usualmente de -14ºC. O processo pode durar até dez dias. Existem empresas que podem ceder ou alugar espaço em suas câmaras de até -29ºC, como supermercados, distribuidores de frios e carnes, o que garante maior rapidez no processo e destruição absoluta de todos os insetos e fungos.


O ventilador pode ser usado em fotografias ou documentos soltos, desde que antes seja lavado com esponja umedecida em detergente bactericida. Em livros, não funciona, pois não evita o entumescimento (tumefação) das folhas, as folhas incham e não voltam à espessura original, ficando o livro iremediavelmente deformado e as folhas escurecidas. O pior é que, mesmo depois de seco, o livro fica realmente fedorento e ainda está contaminado. Como as fibras ficaram comprometidas o papel vai ficar quebradiço e frágil




Diplomas, gravuras, telas e documentos importantes podem ser lavados em esponja umedecida em detergente bactericida,  depois colocados entre folhas de toalhas de papel, pressionando-as levemente. Trocar as toalhas de papel até que esteja o mais seco possível e deixar secar completamente em ambiente arejado. Não deixar sob o sol, pois o papel vai amarelar por oxidação.


Para retirar manchas de oxidação, deixar em água de torneira corrente por alguns dias até branquear por ação do cloro na água.


Livros feitos de papel couchet, por exemplo, como o material de revistas, se molhados as folhas grudam umas às outras e podem ser considerados perdidos sem remédio.

Assim, é preciso agir nas primeiras 6 HORAS após a inundação. Há autores que estendem o prazo por até 24 horas, mas a ação deve ser imediata.
Ao contrário do senso comum, não deve abrir o livro ou levá-lo para o sol, nem usar secador ou ventilador.
O melhor método é o de SECAGEM POR CONGELAMENTO A VÁCUO.
O livro deve ser colocado para congelar um câmara frigorífica frost-free a -20ºC, ou mesmo num freezer que funcione no sistema frost-free, existem muitos modelos à venda. Esse sistema funciona retirando a umidade e mantendo a temperatura de congelamento.
Se encapados com tecido, podem ser empilhados diretamente. Se é encadernação com uso de vulcapel (plástico), devem ser separados por uma folha de papel para assar carnes ou mesmo por uma folha de alumínio. É aconselhável o empilhamento em colunas com espaço entre si, para evitar que os livros fiquem deformados.
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No vácuo e a menos de 0ºC, ocorre o fenômeno de SUBLIMAÇÃO, quando os cristais de gelo evaporam sem liquefazer e a umidade é retirada do ambiente.
O processo pode demorar mais de dez dias, conforme a quantidade.
Depois de secos, devem passar por desinfecção, limpeza e reencadernados, se necessário.


Se o seu acervo for atingido, procure um supermercado, um distribuidor de frios, dentre empresas que tenham câmaras frigoríficas à vácuo. Solicite auxilio ou alugue espaço nesses locais.


LEMBRE-SE: PENSE PRIMEIRO EM SUA PROTEÇÃO E SEGURANÇA. 
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OUTROS MÉTODOS
Exitem métodos para secagem de livros e  documentos molhados. Contudo, nenhum deles RESTAURA o material, pois qualquer que seja o procedimento, o material não recupera a mesma condição anterior ao evento.
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SECAGEM AO AR
Para documentos em folhas separadas, pequenos livros ou moderadamente umidos. O livro é prensado para retirar o excesso e desmontado.  As folhas são limpas,  espalhadas, cobertas com tecido ou papel toalha e submetidos a ventilação constante. Demanda muito cuidado para que não rasgue ou fique distorcido e amplo espaço para trabalho. Pela aplicação de mão de obra, é trabalho de alto custo.
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DESUMIDIFICAÇÃO
Tambem para livros moderadamente molhados. Consiste em usar máquinas de desumidificação a frio diretamente no ambiente. É o método mais precário.
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SECAGEM POR CONGELAMENTO
Usado nos livros ainda úmidos numa câmara frigorífica  Os livros precisam ser congelados ainda molhados, apertados e separados com papel de congelamento, levados à câmara frigorífica com temperatura por volta de -23 graus, para reduzir distorções. O processo leva até algumas semanas.
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SECAGEM TÉRMICA A VÁCUO
É necessária câmara especial para o processo. Consiste em submeter o livro ainda molhado e congelado a um ambiente a vácuo, com uma fonte de calor. Para materiais muito danificados pela água, é a melhor solução, mas exige ambiente especial e equipamento semelhante ao ar condicionado. Não evita tumefação e fundição do papel.
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RESTAURO E ENCADERNAÇÃO
Em todos os casos, será necessário reencadernar os livros, restaurando-os no processo, pois a água dilui as colas usadas, seja ele a orgânica e mais antiga, seja a cola branca mais moderna.
Além disso, a restauração vai desinfetar e limpar as folhas, permitindo que o livro possa ser novamente manuseado, bem como a encadernação vai proteger as frágeis folhas sobreviventes da inundação.
Todo o livro molhado fica mais frágil e é dispendioso e demorado fazer todo o restauro necessário. Por exemplo, o processo de limpeza e branqueamento é feito folha por folha, cada uma delas devendo ficar por dias debaixo de ÁGUA CLORADA CORRENTE. Sendo técnica utilizada apenas para livros raros, gravuras valiosas e documentos históricos. É impraticável quando o material comprometido é abundante mas os recursos financeiros são limitados.
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É LEITURA OBRIGATÓRIA a todos os responsáveis por documentos públicos, o "Caderno Técnico" do Projeto Conservação Preventiva em Bibliotecas e Arquivos. Ali são descritos cuidados, técnicas e procedimentos que devem ser adotados em caso de inundação.
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SALVANDO LIVROS
Tenho lido relatos de cartorários e suas providências para salvar o acervo.
Passado o desespero inicial, adotaram práticas tardias, como secar com papel absorvente, folha por folha, encadernando com técnica ligeira e outros procedimentos ingênuos apesar de utilizados por técnicos na área. Cuidado na escolha da solução! Pode ser mais ampla e simples, com menor custo e qualidade superior na encadernação, respeitando a integridade do livro. Não permita que explorem sua aflição com soluções dispendiosas.
PROCEDIMENTOS DE RECUPERAÇÃO
Os procedimentos adotados em Paraitinga, São Paulo, para os livros encharcados em inundação, obtiveram os resultados que a equipe de encadernadores haviam estabelecido.
O livro apresentado pela equipe, apresenta-se limpo, ligeiramente entumecido, tendo sido refilado para limpeza das laterais das folhas, o que é visível pelo pouco espaço de margens. A técnica utilizada para manter as folhas coesas e manuseáveis, foi a de Pasta, que consiste em PERFURAR as folhas e uni-las por parafuso. Logo, não é um Livro e nem um Bloco. A capa é de papelão cinza coberto por vulcapel, com revestimento interno apenas em papel branco, podendo ser visto um exemplar ainda sobre a mesa.
Tendo por critério a resistência do volumoso livro ao manuseio, a Pasta é frágil pelos seguintes motivos: Se guardado em pé na prateleira, os furos vão ceder, as folhas vão se apoiar diretamente na prateleira, as capas vão ficar puídas e o vulcapel vai rasgar na retirada e colocação do livro.
Qualificar o resultado obtido como "restauração", não é apropriado, pois não foram respeitadas as características originais dos livros, provavelmente dos anos de 1950 em diante, tarefa que demandaria maiores conhecimentos da equipe e que jamais seria satisfatoriamente concluida pelas limitações de material adequado às quais todos os encadernadores atuais estão sujeitos.
A técnica que eu utilizo é a de unir as folhas por serrotagem e amarração, utilizando capas tradicionais de material mais resistente, como couro e tecido, que não representam custo muito maior e dão ao conjunto (ainda não um Livro, mas um Bloco) resistência ao manuseio, preservação do conteúdo e longevidade indefinida.