12 de set. de 2009

Minhas Encadernações em Estilo Clássico












Estes são alguns de meus trabalhos. A técnica é a mais clássica possível, dentro das limitações de orçamento dos clientes e de materiais atualmente disponíveis no mercado.
Quase todos são no formato "lombada e cantos de couro, com espelho de monotipia em tela", todos restaurados e costurados, sem refilamento das laterais.
Os papéis e telas marmorizadas são de minha autoria.
Contudo, um livro velho é muito bonito, com o sinal do tempo passado sobre ele, indicando o quanto foi lido, transportado, guardado, preservado, maltratado. Este, por exemplo, nunca tive coragem de "restaurar", seria a mesma coisa que... se meu avô tivesse 20 e poucos anos! É um dilema!

Zelina Castello Branco


Lá por 1982, despertou meu interesse por encadernação. Minha livraiada (tão poucos para ser considerado biblioteca) estava em péssimo estado, com as capas soltando, as costuras rotas e as páginas sujas. Comprados já usados, herdados de familia ou comprados de livraria, pediam socorro. Os primeiros sairam toscos, eficientes mas horrendos. Então o Gino da antiga livraria de usados Guttemberg, o Salim ex-presidente de sindicato de indústrias de papel e dono de uma maravilhosa coleção de livros, e Chaim, o da livraria mesmo, me deram o livro de Zelina Castello Branco.

Foi uma descoberta atrás da outra. Direta e didática, me deu as primeiras instruções, junto com muita tentativa e erro de minha parte, mais pesquisa e prática, fui desenvolvendo minha própria técnica, sempre mais orgulhoso por reviver detalhes da verdadeira encadernação clássica do que por inventar novos métodos. Quando me deparava com algum impasse, imaginava o que Zelina faria. Quando terminava um livro, imaginava qual seria a avaliação de Zelina. Afinal, muitos dos grandes mestres da encadernação eram mulheres, como Santa Wiborada.

Tornou-se de fato minha mestra.

Era titular da “Leart – Livraria e Encadernação”, é viúva do escritor, jornalista e bibliófilo Carlos Heitor Castello Branco, um expert em livros. Instalada no bairro de Pinheiros, em São Paulo, com um catálogo de livros que alegravam o mais exigente dos colecionadores que a visitam para pesquisa de raridades. Hoje com 86 anos, está em "inquieta aposentadoria".

Um dia desses, fui às nuvens quando me telefonou. Fiquei muito honrado com sua atenção ao meu trabalho e apaixonado por essa mulher fascinante.

Atualizar a vida é preciso.

No dia 11 de Maio de 2015, faleceu Zelina Castello Branco, mulher valente e criativa que deixou o mais digno e puro trabalho de Encadernação Clássica que já aconteceu no Brasil.

Foram 101 anos de vida inspiradora e produtiva.


Como ficou meu exemplar do Livro "Encadernação", de Zelina Castello Branco.

Esse Link leva ao catálogo de livros da Le Art.

Dicas Para Conservação de Livros

Livro é um objeto frágil.
O prosaico ato de ler já contribui para sua deterioração, graças à precariedade da indústria gráfica e a falta de padrões dos editores. Começando pela análise do papel, normalmente é de baixa qualidade, comprovável pela alta porosidade causada pela economia de agente agregador da massa de celulose, resultando em evaporação acelerada e pouca resistência à umidade e fungos. Fazem grande economia de margens, tanto nas bordas internas quanto nas externas, resultando que o leitor tem que forçar a abertura e assim deforme o livro. As colas usadas são de alta acidez, soltando-se e ficando quebradiças já na primeira leitura.
As capas são precárias. Enrolam para fora e soltam-se do miolo do livro, sem mencionar que aquelas bonitas letras douradas dos livros do Harry Potter e da série Crepúsculo somem em pouco tempo por força da fricção.
Para mitigar um pouco o sofrimento deles, passo umas dicas de conservação.
FUNGOS EM LIVROS DE COURO
Limpe o couro com um pano umedecido em detergente multi-uso diluído 50/50, em seguida friccione o remédio VODOL líquido ou creme. A receita serve para qualquer objeto de couro.
HIDRATAÇÃO DO COURO
LImpe o couro da mesma forma acima, depois use hidratante normal, tipo Vasenol, Nívea, etc., passando com uma esponja ou um pedaço de pano limpo. Se tiver sinais de fungo, acrescente Vodol creme ou líquido e hidrate com essa mistura.
LAVANDO O LIVRO
Se comprou um livro no sebo, ou se emprestou para alguém e voltou sujo, ou se emprestou um livro sujo de alguém, ou seus livros estão sujos mesmo, pode lavar as capas que sejam plastificadas ou de papel couchet. Use detergente multi-uso dliluído 50/50, mergulhe o pano no recipiente, torça bem e esfregue rapidamente até tirar toda a gordura e sujeira da capa. Pode passar de leve no alto das folhas se estiverem muito sujas. Em seguida passe um pano seco e limpo. Aqueles livros de capa dura do Clube do Livro são inteiramente laváveis. Siga sempre mergulhando o pano na solução de detergente e torcendo bem.
PASSANDO CERA DE ABELHA
Se há um elemento inestimável para conservação de livros, é a bendita cera de abelha. Possui incríveis propriedades anti-fungo e anti-mofo, também mantendo distante cupins, traças e brocas. Uso principamente para encerar os fios de costura do livro. Mas também pode ser usada com sucesso para:
1) esfregar em manchas de fungo e mofo das folhas;
2) esfregar na parte superior das folhas com livro bem fechado;
3) encerar as capas de livros antigos, garantindo às folhas ressecadas e porosas um pouco de proteção.
Vale a pena passar numa loja de material de construção, daquelas antigas onde tem de tudo, e comprar umas gramas de cera. É muito barato e dura muito tempo. Se tem casa algum objeto de madeira com aquela cultura de fungo verde, lave e passe a cera. Fica livre do fungo e bonito.

27 de ago. de 2009

Etimologia e Bibliologia


“ENCADERNAÇÃO” – ETIMOLOGIA
Lendo sobre encadernação, história e técnica, conclui que a palavra pode ter origem no velho espanhol influenciado pela cultura árabe, pois essa arte foi introduzida na Europa pela Península Ibérica, durante os séculos de dominação árabe. Assim, pode derivar-se de “encadeñar” ou encadejar, como em dispor em cadeias sucessivas, conforme o Dicionário Moraes digitalizado pela BRASILIANA.
Por associação, pode ser derivada de cadernos, ou “quaternos” dos antigos “in-fólios”. Esclarecendo, antigamente tomava-se uma folha provavelmente tamanho 96 X 66 cm, dobrava-se duas vezes formando quatro folhas ou UM CADERNO, mais outra e mais outra, que eram costuradas pelas dobras formando um livro, ou seja, encadernadas ou COSTURANDO OS CADERNOS .
Encontrei explicação plausível num livro publicado por ocasião do IIº Congresso da Indústria Gráfica Argentina:
"Ya se ha visto que la palabra "encadernacion" proviene de encuaternar (poner de a cuatro os cuadernillos impressos e coserlos. " (LA HISTORIA GENERAL DEL LIBRO IMPRESSO, Raul M. Rosarivo, Ediciones Áureas, página 201, Buenos Aires, Argentina, 1964)
Citar Raul M. Rosarivo é suficiente para encerrar a questão etimológica. O homem foi importante desenhista, professor, escritor, pesquisador das artes gráficas, pintor e bibliófilo argentino, com sólida obra sobre artes gráficas e bibliologia.
Buscando auxílio dos dicionários, o mais simples diz que é “formar cadernos”. O velho dicionário Moraes me afirmou que é derivado de “cadeñas” mesmo e do espanhol. Há até uma semelhança fonética que remete à livre associação com o Porto de Cádiz, principal ponto de entrada para os navios árabes, mas aí já é especular demais. Um blog de encadernação afirma que "encadernar significa fazer, amarrar ou segurar (em latim é ligare)", coisa que não tem nada a ver, mas está assim no sitio de encadernação e restauro.
Uma nota curiosa encontrada nesse mesmo livro, informa que o costume de pintar de vermelho os cantos dos livros começou com os monges medievais decorando as laterais em recordação ao sangue dos mártires cristãos. Esse Rosarivo...
Já que estamos nesse assunto etimológico permeado de curiosidade, são muitas as variações possíveis com a raiz grega "biblos" (livro), aplicadas desde a quem coleciona até a quem depreda, sem contar aquelas mais usuais, como "biblioteca":

Bibliófilo: que ama os livros
Bibliocasta: que destrói livros
Biblioclepto: ladrão de livros
Bibliótafo: que esconde os livros
Bibliófago: comedor de livros
Bibliófobo: que odeia livros
Bibliólotra: que idolatra livros
Bibliomanta: que pratica adivinhação ao abrir um livro ao acaso e interpretar a primeira linha
Biblioterapia: cura por meio da leitura
Bibliópola: vendedor de livros
Biblióforo: que carrega livros
Bibliomaníaco: que tem atração mórbida por livros

E por aí afora, sem falar nos Bibliocidas, aqueles que encadernam livros, destruindo a obra no processo, vide outros posts neste espaço.

12 de ago. de 2009

Conservação - Manuseando Livros

Os critérios para manusear um livro são determinantes para uma maior vida útil e de sua permanência no acervo. Recomenda-se portanto, a adoção de normas e procedimentos básicos, como por exemplo o treinamento de pessoal, que contribui consideravelmente para a conservação preventiva do acervo, seja pequeno e estimado ou grande e inestimável.

♦ Não manusear livros ou documentos com as mãos sujas, lavando as mãos após cada refeição.
♦ Não manter plantas aquáticas, guarda-chuvas e capas molhadas junto às prateleiras.
♦ Em dias muito úmidos, evitar abrir as janelas.
♦ Não fumar nem consumir alimentos perto dos livros.
♦ Não usar fitas adesivas, durex de qualquer tipo, colas plásticas, grampos ou clipes metálicos nas folhas e documentos guardados nos livros.
♦ Não dobrar os cantos das páginas (orelhas), pois ocasiona o amolecimento e rompimento das fibras. Nunca virar as páginas segurando pelos cantos.
♦ Usar marcadores próprios, finos, evitando efetuar marcas e dobras.
♦ Não retirar o livro da estante puxando-o pela borda superior da lombada.
♦ Os livros devem permanecer em posição vertical. Nunca acondicioná-los com a lombada para baixo ou para cima.
♦ Nunca manter as estantes campactadas.
♦ Fazer o transporte dos livros individualmente.
♦ Nunca umedecer os dedos para virar as páginas do livro. O ideal é virar pela parte superior da folha, procurando a página e abrindo todas as folhas de uma só vez.
♦ Não apoiar os cotovelos sobre os volumes de grande porte durante a leitura.
♦ Não fazer anotações, particulares ou profissionais, em papéis avulsos e colocá-los entre as páginas de um livro. Eles deixam marcas e permitem a penetração de sujeira e umidade.
♦ Evitar forçar a abertura para tirar cópias de livros. Esta prática danifica não só a encadernação como também o papel.
♦ Não utilizar espanador e produtos químicos para a limpeza do acervo e a área física da biblioteca, use trincha em local afastado das estantes. Para evitar a distribuição de poeira sobre os volumes, o piso deverá ser limpo com pano úmido.

A ilustração do "Livro Monstro de Harry Potter"?

Ora, o segredo para o livro não morder é sempre tratá-lo com carinho.

4 de ago. de 2009

Cupins e Brocas na Biblioteca


O post anterior "Conservação de Livros - Pragas Comuns" abordou de modo genérico as principais pragas que atacam os livros e a madeira da biblioteca. Para o livro infestado por alguma dessas pragas, a solução é abordar um por um, arejar, limpar folha por folha e a área do interior da lombada, para um processo superficial. O ideal é o restauro dos livros, com troca do papelão das capas, onde podem estar depositados os ovos.
Para a parte da madeira circundante, seja nas prateleiras, nas paredes da sala e mesmo nos rodapés, há uma solução mais invasiva e efetiva.
Aprendi a trabalhar madeira com meu avô José Pinto de Carvalho, o Vô Gegé, marceneiro e carpinteiro completo, com o qual vivi grande parte da infância e adolescência. Além de trabalhar madeiras nobres de forma artesanal, robusta e elegante, era exímio tocador de violão. Com ele aprendi uma técnica simples.
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Para debelar a infestação de cupins e brocas na madeira, junto o seguinte material:

1) Uma SERINGA DE INJEÇÃO com agulha;

2) Cupincida líquido, ou inseticida líquido;

3) Cêra de abelha;

4) Espátula de metal ou uma faca.

Encha a seringa com o cupincida e injete abundantemente em cada um dos buracos na madeira.

Tape os buracos com a cera de abelha e retire o excesso com a espátula, igualando a superfície.

Deixe o cupincida agir indefinidamente.

O processo é ideal para infestações em seu estágio inicial e em pequenas áreas, pois grandes acervos e infestações generalizadas, que já comprometeram a estabilidade das prateleiras, exigem intervenção de profissionais ou mesmo a substituição de todo o madeiramento do ambiente.

3 de ago. de 2009

Conservação de Livros, Pragas Comuns


Introdução

A manutenção livros oficiais, de bibliotecas e coleções particulares, até mesmo de edifícios históricos envolve muitas e variadas disciplinas, incluindo a conservação e gestão de coleções e edifícios. Os principais agentes de deterioração são os efeitos ambientais da luz e da humidade e os agentes de destruição como os insetos e os fungos. Todos estes factores se encontram interligados e a correcta aplicação do Controle de Pragas deve abordá-los sob uma perspectiva global, não como mera reação a crises isoladas. Um Controle Integrado de Pragas bem elaborado e bem aplicado, poderá evitar a ocorrência de problemas e crises bem como pode permitir a gestão, mais racional e mais eficaz, de recursos humanos e financeiros limitados. O Controle Integrado de Pragas deve ser relevante para as necessidades seja do cartório, da instituição e da coleção, utilizando, tanto quanto possível, a informação e os especialistas locais. Deverá também ser prático e exequível - é muito fácil desenvolver projetos grandiosos, que depois se revelam completamente impraticáveis. Deve ser mais um processo em evolução do que uma revolução, aberto à colaboração de disciplinas diferentes.
Neste link, o mesmo post com ilustrações:

TRAÇAS

As traças podem ser consideradas importantes pragas em áreas urbanas, pois infestam roupas, papéis, tapeçarias, estofados, livros, frutas secas, grãos ou outros alimentos armazenados, e muitos outros produtos manufaturados ou não. Na área urbana identificam-se três grupos distintos, reunidos em duas ordens: o grupo formado pelas traças-dos-livros ou traças-prateadas, pertencentes à ordem Thysanura; e o grupo formado pelas traças-das-roupas e as traças de produtos armazenados, pertencentes à ordem Lepidoptera.
Ordem Thysanura | Família Lepismatidae
Traças-de-livros
Essa ordem compreende os insetos mais primitivos, são conhecidas como traças-de-livros ou prateadas. Seu aspecto lembra um peixe prateado, daí um de seus nomes em inglês ser "silverfish". A família de maior importância dessa ordem é a Lepismatidae.
Descrição e biologia
Medem no máximo 50 mm de comprimento, são ápteros, possuem corpo deprimido e alongado, com 3 filamentos caudais, olhos compostos reduzidos ou ausentes e antenas filiformes (alongadas). São insetos que se alimentam de matéria orgânica vegetal, e substâncias ricas em proteínas, açúcar ou amido, assim, em residências, atacam cereais, farinhas de trigo (úmidas), papéis que contenham cola (papel de parede, livros encadernados em brochura, etc), e alguns tecidos, raramente atacam roupas de lã e outros produtos de origem animal. Possuem hábitos principalmente noturnos, vivendo em ambientes úmidos e escuros. Escondem-se em frestas de móveis, armários, rodapés e caixas.
Principais Danos
Algumas traças adaptaram-se muito bem ao ambiente urbano, consideradas importantes pragas domiciliares, como a Lepisma saccharina. Em museus, bibliotecas, tecelagens, supermercados, hotéis e em muitos outros estabelecimentos comerciais, as traças devem ser monitoradas com rigor, evitando-se infestações severas e danos significativos. Outras espécies também encontradas no Brasil são a Acrotelsa collaris e a Ctenolepisma ciliata.

CUPINS

Apresentam reprodução sexuada e desenvolvimento ametabólico, a fase jovem diferencia-se da adulta apenas pelo tamanho e maturidade sexual. Dependendo da espécie e clima, os ovos eclodem entre 10 e 60 dias, a fase jovem para a adulta dura entre 2 e 3 meses, sendo o ciclo de vida completo de 1 ano.Ocorre em áreas de climas tropical e temperado. Há cerca de 2 mil espécies descritas, 250 delas presentes no Brasil pertencem a 3 famílias: Kalotermitidae, Rhinotermitidae e Termitidae. São conhecidos mundialmente por termite, em latim, que significa "verme que rói a madeira", no Brasil a palavra cupim é de origem Tupi.
Descrição e biologia
São espécies sociais, organizam-se em castas de indivíduos ápteros ou alados. A cabeça é livre, com forma e tamanho variáveis, as formas aladas geralmente com olhos, que são atrofiados nas ápteras. O aparelho bucal é do tipo mastigador e bem desenvolvido, principalmente nos soldados. O tórax é achatado e com protórax destacado dos demais segmentos. Apenas os cupins reprodutores apresentam 2 pares de asas membranosas, que possuem uma sutura basal que se rompe e destaca-se do corpo após a revoada. Vegetarianos, a alimentação varia conforme a espécie: madeira viva ou morta (vários estágios de decomposição); derivados de celulose (protozoário no sistema digestivo auxilia na digestão da celulose); herbáceas e gramíneas vivas; detritos vegetais e partes vegetais vivas; fezes de herbívoros e húmus. Uma característica comum a todas as espécies de cupins é a sensibilidade à luz.
Os indivíduos são distribuídos em castas com diferentes morfologias, são adaptados ao trabalho que desempenham e vivem em ninhos, que podem ser construídos em diversos lugares. Existem, basicamente, 3 castas de indivíduos:
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Alados - destinados à reprodução e responsáveis pela formação de novas colônias. Em cada colônia há o casal real (reprodutores), a fêmea é a rainha, que sofre fisogastria e é responsável pela ovoposição, e o rei, que permanece junto à rainha, tem função de fecundá-la periodicamente. Em caso de morte ou doença de um dos reprodutores, os mesmos são substituídos pelos reprodutores de substituição;
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Soldados - responsáveis pela guarda do ninho e proteção dos demais indivíduos da colônia;
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Operários - casta mais numerosa da colônia e composta por indivíduos ápteros e estéreis, são responsáveis por todas as funções rotineiras da colônia, como obtenção de alimento, construção, reparo, expansão, limpeza do ninho, etc.
Os operários são importantes para a regulagem social da comunidade, através da trofalaxe regurgitam alimento (alimento estomodeal) e secreção salivar ou fluído fecalóide. Essas substâncias, além de valor nutritivo, transportam feromônios reguladores do desenvolvimento social da colônia e também os protozoários necessários para a digestão de celulose. Outro papel importante dos operários é o saneamento da colônia, através da remoção de indivíduos doentes, mortos ou anômalos. Para isso, os operários podem devorar esses indivíduos ou sepultá-los nas paredes ou em outras câmaras da colônia.
Ciclo de vida
Apresentam desenvolvimento incompleto, compreendendo as fases de ovo, ninfa e adulto. As ninfas sofrem ecdises até chegarem à forma adulta. É durante essa fase de desenvolvimento que será definida a "finalidade" da ninfa, ou seja, se transformarão em operários, soldados, reprodutores alados ou de reposição, de acordo com a necessidade da colônia. No último estágio, as ninfas podem desempenhar as funções dos operários.
Após a revoada, os alados perdem as asas e juntam-se aos pares, saindo à procura de local adequado para o estabelecimento da nova colônia. Decorridos alguns dias após a cópula, a rainha começa a postura. As primeiras posturas originam operários apenas, que darão início à construção da colônia. Depois de estabelecida a colônia, surgem os indivíduos das outras castas. Após atingir a maturidade da colônia (por volta de 5 anos), começam também a surgir os indivíduos alados que irão fazer novas revoadas para criar novas colônias.
CUPIM DE MADEIRA SECA
Família Kalotermitidae e Cryptotermes brevis
Habita áreas de climas subtropical e tropical, mesmo em regiões que apresentam inverno rigoroso. É uma espécie estritamente antropófila, sem registro de indivíduos encontrados em ambientes naturais. Fazem seus ninhos dentro dos moveis ou do madeiramento propriamente dito, e suas colônias são pequenas.
Sinais de infestação
Sinais de infestação: são bem discretos em infestações iniciais, porém o sinal mais típico é a presença de grânulos (resíduos fecais) amontoados e localizados abaixo dos orifícios de expulsão. Outra evidência, em caso de infestações com presença de colônias maduras, é a presença de asas espalhadas no recinto.

BROCAS

Conhecidas como brocas de madeiras, as espécies mais importantes que causam danos em móveis são as das famílias Anobiidae, Bostrichidae, Curculionidae e Lyctidae.
Descrição e biologia
Cabeça normal, arredondada, também podendo ser alongada, formando um rostro. Antenas localizadas na fronte e variando conforme espécies. A principal característica é o primeiro par de asas modificado em élitros, de consistência coriácea ou córnea, protegendo o segundo par de asas membranosas, dobradas (quando em repouso). O abdome em geral é totalmente recoberto pelos élitros. O adulto vive fora da madeira, utilizando-a para deposição dos ovos, onde as larvas, posteriormente, irão se abrigar e ali se alimentar até atingirem o estágio de pupa. Atingem de 1 a 3 mm.
Ciclo de vida
Apresentam desenvolvimento holometabólico e reprodução sexuada. O adulto deposita seus ovos em furos ou fendas existentes na madeira, após 1 ou até 4 semanas os ovos eclodem e surgem as larvas, que permanecem dentro da madeira (se alimentando) até empuparem, período que dura cerca de 1 a 4 semanas e, já mais próximo à superfície, a pupa transforma-se em adulto. Este ciclo pode durar de 1 a 3 anos.
Principais espécies e danos
Os danos causados por coleópteros são em menor proporção que os causados pelas térmitas, porém, também requerem atenção. Apenas as larvas causam danos, pois é nesse período que o inseto se alimenta da madeira, formando verdadeiras galerias dentro dela. Uma característica que facilita a identificação de uma infestação por brocas é a presença de furos nas peças de madeira, mas, principalmente, a presença de um pó ou serragem bem fina, assemelhando-se a um talco, próximo à peça. É importante ressaltar que a textura desse pó é que diferencia uma infestação de brocas de uma de cupins de madeira seca. Existem várias espécies de brocas que infestam madeira.
Família Anobiidae
São conhecidas como brocas falsas, pois atacam madeiras e folhas secas de diversas espécies. A cabeça não é destacada do corpo, que tem formato oval. Apresenta coloração castanha escura à preta. Geralmente atacam madeiras moles. Deposita seus ovos em fendas ou orifícios existentes na madeira. Dificilmente infestam duas vezes o mesmo local. Causam grande prejuízo por ter um ciclo de vida muito rápido, um casal produz 200 ovos em 10 dias e no mesmo local.
Família Bostrichidae
Apresentam o corpo em formato cilíndrico e tórax mais áspero, antenas em forma de clave e cabeça não destacada do corpo. Sua coloração é castanha escura. Perfura a madeira para depositar seus ovos e geralmente atacam madeira dura, podendo também atacar madeiras moles.
Família Lyctidae
São as chamadas brocas verdadeiras, atacam tanto madeira dura quanto mole. Apresentam coloração variando do castanho escuro ao preto. A cabeça é destacada do corpo, que tem formato achatado. Deposita seus ovos nos poros da madeira. Seu principal sinal de infestação é a presença de resíduos de madeira nas saídas dos túneis. Causa grande dano por infestarem o mesmo local mais de uma vez.
Superfamília Curculionoidea
Apresentam cabeça prolonga-se em um rosto, de formato mais ou menos alongado, reto e voltado para baixo. São da mesma família do bicudo-do-algodoeiro. Normalmente, ataca grãos armazenados, mas podem atacar madeiras moles.
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CONCLUSÕES

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Se tiver problemas com infestação de pragas, tome uma atitude sem perda de tempo. São pequeninos mas muito eficazes. Se chegou no estágio de perceber sinais da presença de insetos no acervo, é sinal que a destruição já está bastante generalizada.
Existem ainda outras pragas; A ARANHA, que prolifera quando existem insetos no ambiente. RATOS, freqüentes em ambientes sujos ou com alimento disponível. Mas esses descritos são os maiores inimigos de um acervo de livro.
Dando um diagnóstico para uma biblioteca infestada, Zelina Castello Branco foi radical: "Retire do ambiente toda a madeira infectada ou não , substitua os livros afetados e restaure completamente os livros que não podem ser substituídos".
Nunca utilize soluções invasivas nem permita que outro o faça. Ou seja, não espalhe naftalina, não use nenhum veneno líquido ou em pó que deixe resíduos nas folhas, podem causar danos à saúde de todos que manusearem os livros. Já restaurei livros tratados antigamente com BHC, substância em pó, altamente tóxica, de longa permanência residual e atualmente proscrita, e não foi uma experiência saudável.
Em cidades litorâneas ou em ambientes particularmente úmidos, os danos são muito maiores, pois o papel está permanentemente mais mole e o ambiente ao redor - quente e úmido - é ideal para proliferação dos bichinhos.
Assim sendo, a solução depende da limpeza do local, do estado do imóvel e do tipo de prateleira usada.
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Procure imediatamente ajuda profissional. Uma empresa de conceito, da qual obtive parte do material desse post é a DD Drin, no link http://www.dddrin.com.br/index.php . Por certo darão a melhor solução para cada caso.
Se desejar maiores informações, deixe um Comentário.

29 de jul. de 2009

Encadernação, Restauração e Conservação - O Papel


A escolha do papel utilizado para produção de documentos públicos é essencial para determinar sua resistência futura ao manuseio, bem como sua resistência à simples passagem do tempo.
Os mais resistentes e duráveis papéis já produzidos eram aqueles fabricados antes da grande revolução industrial, até por volta do fim do século l8. Era material obtido a partir de árvores nobres com adição de fibras de algodão à massa. O resultado era um papel forte e que jamais amarelava. Contudo, o papel simples de celulose ganhou espaço à força, graças a um estratagema mórbido. Num tempo em que as pragas, doenças e epidemias eram incontroláveis, difundiram o boato de que esses papéis eram fabricados com bandagens de hospitais. Ironicamente, hoje valorizamos o papel reciclado.
Muito mais barato e abundante, a difusão do papel de celulose foi otimizada pela própria decadência da qualidade do livro impresso, cada vez mais popularizado.
A acidez comum nesse material é resultado da condição do papel produzido da madeira, normalmente pinus e eucalipto, que contém lignina e resíduos dos ácidos empregados no clareamento das fibras de celulose, além de resíduos dos pontos usados no encolamento, a adição de cola à massa, durante o processo de fabricação. Não são apensas os resíduos de fabricação que tornam o papel ácido. As tintas ácidas também emprestam acidez ao papel, bem como a poeira e a própria gordura das mãos, a qual, em combinação com a humidade contida na atmosfera, absorve gases poluidores, formando pontos ácidos que dão origem às machas no papel. Essas manchas se propagam e destroem a fibra do papel, tornando-o quebradiço.
Os papéis brasileiros apresentam um índice de acidez elevado (pH 5 em média, quando o ponto de acidez neutra é 7 ) e portanto uma permanência duvidosa. Somemos ao elevado índice de acidez, o efeito das altas temperaturas predominante nos países tropicais e subtropicais e uma variação da umidade relativa, teremos um quadro bastante desfavorável na conservação de documentos em papel.
O pH varia de 0 a 14, sendo pH=7: neutro. A maioria dos papéis de uso são ácidos, o que acelera seu amarelamento e decomposição.
À medida em que o ácido do ambiente interfere no papel, o pH do mesmo começa a cair para menos de 7, tornando-se ácido e acelerando seu amarelamento.
Para papéis artísticos e principalmente para papéis destinados a documentos públicos, o pH neutro é fundamental para prolongar sua durabilidade.
Portanto, ao encomendar os papéis timbrados, exija que a acidez seja a mais neutra disponível, pois existem papéis com essa especificação.
Além disso, evite cores que sofrem mais com a exposição ao ar e à luz. São as cores entre o verde e o azul, obtidas a partir de pimentos minerais. As cores quentes, do amarelo ao marrom são normalmente obtidas de vegetais ou de óxidos, sendo mais resistentes e duradouras. A química das cores é matéria ampla e complexa, mas esses são os princípios mais básicos.
Na compra de papéis para impressora, invista naqueles mais próximos do pH Neutro. As marcas mais populares infelizmente são muito ácidas, pois são destinadas a uso escolar que não exige nenhuma durabilidade, ou para fins comerciais e contábeis e não são feitos para durar mais do que os cinco anos da prescrição nesses casos. É também lamentável que as encadernações comerciais estejam atualmente niveladas pelos livros fiscais, mas essa é outra história...
Os documentos públicos, por sua vez, não prescrevem.

27 de jul. de 2009

Livro para o Pó, de John Fante.


Parece que beatnik está na moda entre algumas pessoas, tanto que ressuscitaram Fante, aquele que nunca devia ser esquecido. Motivado pela curiosidade, fui comprar o livro dele "Pergunte ao Pó", perguntei na Livraria Curitiba do Estação, sentei um pouco para ler e gostei de cara da introdução de Charles Bukowski. Recomendador de primeira. Li um pouco do início e logo vi que era coisa de primeira qualidade. Parei de imediato. Leitura boa é para ler com calma e não no burburinho.

Decisão tomada, fui até o caixa. Inexorável, a moça pôs peço no prazer: R$.31,00 (TRINTA E UM REAIS).

Aí, acenderam-se as lamparinas de meu juízo.

"Trinta e um reais por essa publicação vagabunda! Capinha de papel mole sem orelhas! Folhas do mais barato e vagabundo papel de embrulho que a Editora José Olympio conseguiu comprar! Tão vulgar que já vem amarelado! Troço molemolente na mão da gente!"

Tende paciência! Gostei com certeza, tanto que não me dei conta do que tinha nas mãos. Mas, comprar um bom texto num livro péssimo e ter que testemunhar o pobre se deteriorando rapidamente perante meus olhos, ali na prateleira! Isso não!

Esse pova da editora, o que será que eles acham que a gente faz com livro? Lê escondido, envergonhado, depois vende a quilo no sebo? Lê e joga fora? Lê e recicla? Dá de presente sem ler e sem vergonha?

Gente, livro é para ler e guardar. Para emprestar a quem queremos bem! Para ler de novo daqui a dez anos! Para todo mundo aqui em casa poder ler e o livro ainda fica inteiro.

Cândido, ainda perguntei para a moça que pôs preço no prazer: Não tem uma outra edição melhorzinha? Mesmo mais cara? Tem não.

Não tinha. Não estou num país civilizado que edita livros em capa dura também, para quem tem uma estante onde guardar, que gosta de ter o livro para ao menos olhar as letras da lombada de vez em quando.

Se comprei? Não! Esse não! Vou procurar coisa de melhor qualidade, nem que leve tempo. E se você comprar, esconda quando chegar visita em sua casa.

25 de jul. de 2009

A Biblioteca Pública Fede!


A Biblioteca Pública Fede

Imagine um lugar onde voce possa encontrar os principais títulos publicados em cada categoria, oferecidos gratuitamente a qualquer pessoa. Imagine esse lugar oferecendo de obras de literatura e de diversão, na prosa e poesia, saciando o apetite por leitura de qualquer um.

Agora, imagine esse lugar FEDENDO!

O principal indício de que uma biblioteca, mesmo uma livraiada e até uma estante só. está com problemas, é o CHEIRO. Se cheira, é mofo. E mofo é o resultado de poeira e umidade. Pois LIVRO VELHO NÃO FEDE! Só cheira mal se estiver mal conservado.

Sou capaz de avaliar o estado de conservação dos livros só pelo cheiro.

Cheiro de xixi de aranha marrom, de ratos, de brocas, de cupins. Tudo isso só prospera quando a biblioteca está mal conservada.

Quando acumula poeira. Quando não é arejada. Quando está úmida. Quando está abandonada.

Qual a razão do FEDOR da Biblioteca Pública do Paraná?

Estamos em pleno verão, com muito calor e pouca chuva em Curitiba. Aliás, Curitiba é um bom lugar para livros.O clima é seco e fresco, as temperaturas são sempre amenas. Logo, o clima não é a razão.

Então qual o motivo do fedor da Biblioteca Pública do Paraná?

Falta de limpeza.

Pergunto: Quem está na direção desse lugar. Quem não está mandando fazer o trabalho. Quem está afastando os leitores. Quem iria levar para casa um livro fedorento para ler depois do banho, deitado na cama cheirosa, com aquele fedor de lixo no nariz. Pergunto.

Já o estado dos livros é lamentável. Rasgados. Capas soltas. Folhas soltas. Faltando trechos. Sujos.

Quem está deixando a Biblioteca Pública do Paraná virar um lixo?

QUAL A SOLUÇÃO?

Pois uma solução é urgente!

Como em qualquer área do serviço público, a solução está no trabalho de pessoas VOCACIONADAS.

Gente motivada por interesses altruistas, para os quais uma Biblioteca seja um templo e não um emprego e, no mínimo gostem de ler. Acredito nas boas intenções das pessoas e que o erro é algo humano, inevitável e previsível, mas é preciso reconhecer o que está acontecendo de errado e corrigir. Sé é falta de limpeza, é preciso arranjar pessoal e produtos de limpeza, treinar uns no uso de outros e limpar ambientes e livros. Se é umidade é preciso arejar as salas, climatizar, afastar os livros das paredes, verificar infiltrações e goteiras. Se éfalta de conhecimento, é preciso encontrar pessoas capazes e entendidas no assunto para tomar as providências necessárias. Mas algo precisa ser feito.