16 de jul de 2009

Arte Gráfica Pobre Arte


Trezentos anos depois de Gutemberg e sua pobre máquina de imprimir produzirem a fabulosa "Bíblia de 42 linhas", as artes gráficas estão em colapso. 
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Evoluíram para o nivelamento pelo mínimo, desde 1801 com a máquina a vapor para imprimir, em 1814 com o Times londrino adotando o sistema e o papel contínuo e em 1864 a impressão a duas cores.
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As revoluções mecânicas precedem as revoluções políticas e resultam na difusão de quaisquer idéias, os esforços para um renascimento espiritual são sufocados pela dialética marxista, que exalta a força e o império da máquina, idealizando que o homem seja livre, criativo e completo apenas na medida em que produz.
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O mecanicismo quer ganhar tempo. Prega que o feio pode ser belo (pois é mais fácil fazer o feio) desde que seja útil. Milhões de exemplares impressos para satisfazer a gula por leitura fácil, somem as margens dos livros para jogar fora e rebarbas que sobram por todos os lados. Se o autor é popular, as letras são enormes, os parágrafos são curtos e a distância entre as linhas é imoral. Está perdida a profundidade pela extensão.
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De vez em quando, aparecem edições cuidadas e livros bem feitos. Contudo, atrás desse aparente ressurgimento gráfico se esconde a serpente da vaidade bibliofílica do novo rico, constituindo um nova indústria sem finalidade cultural: esses livros de curta tiragem, de exemplar intonso e único, brazonado, carimbado, numerado e assinado que atingirá preços artificiais fabulosos. A impressão sobre papel colorido especialmente fabricado, com tipos pretensiosos e tintas ecológicas, produz por imitação livros intocáveis, protegidos por caixas de seda, como burgueses em seus caixões e reis em seus sarcófagos. São as edições dos Amantes do Livro, dos Bibliófilos Daqui e de Acolá, que os herdeiros oferecerão aos sebos de luxo na primeira oportunidade.
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Nenhum livro se salva nesse caos em que nasceram os gráficos, cuja habilidade mecânica se encontra em flagrante contradição com o sentido artístico que uma verdadeira obra de arte merece.
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Como um excelente obra literária pode ser um péssimo livro

Estou lendo "Um Campo Vasto" - Ein Weites Feld - de Gunther Grass e na perfeita tradução de Lya Luft. Um livro ótimo, apesar de exigir um bom conhecimento de detalhes da cultura germânica e conhecer Berlin como a palma da mão. Através de personagens cativantes, nos presenteia com um retrato cultural, político, econômico e social da Alemanha durante a derrubada do Muro de Berlin. 

A obra literária é muito boa e não está em questão. O problema é o livro.

Tem 616 páginas, ou 308 folhas, impresso em papel Pólen Soft 80 g/m2,  pela Divisão Gráfica da Distribuidora Record.

Essas 308 folhas não são compostas de cadernos costurados e unidos por cola, mas são FOLHAS SOLTAS simplesmente coladas, ocorrendo que o livro quebrou na página 214, apesar de todo meu cuidado em chegar ao fim da leitura e ainda ter um livro intacto.

É um péssimo livro que não resiste à primeira leitura pois foi fabricado por uma indústria gráfica que não tem qualquer compromisso com a qualidade. Uma obra dessa magnitude é para ser guardada com carinho por muitos anos e lida por muitas pessoas e até mais de uma vez. Um clássico mal feito que se desfaz em nossas mãos.

Um péssimo exemplo da indústria gráfica nacional.

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