11 de jul de 2009

A Arte Negra



A ARTE NEGRA
♦ Durante a Idade Média no início da utilização de tipos móveis na impressão de livros, a atividade gráfica foi chamada de “Arte Negra”.
♦ Por conclusão da ignorância, ou seja, quando a imensa maioria de analfabetos concluía que aquelas manchas no papel tinham poderes mágicos, pois alguns iniciados olhavam para elas e de sua boca brotavam histórias, poesias e ciências cujas maravilhas e revelações não tinham fim. E entre esses analfabetos estavam reis e nobres, ricos comerciantes e poderosos generais, estando a leitura restrita a um reduzido número de clérigos.
Ler era poder e essa força tornava os leitores homens temíveis, donos de uma ciência certamente utilizada muitas vezes para obter riqueza e prazer, logo uma “Arte Negra”.
♦ Um dos inventores do processo mecânico de fazer livros foi Fust. Em 1462 foi a Paris para vender seus livros impressos, fazendo crer que se tratavam de livros manuscritos. Já nessa época os livros impressos tinham menor valor. A corporação de calígrafos franceses denunciou a farsa, movendo processo contra Fust, pois como podiam os livros ser manuscritos se apresentavam os mesmos erros nas mesmas letras, nas mesmas palavras, nas mesmas linhas e nas mesmas páginas de cada exemplar examinado. Fust não admitiu o crime e preferiu manter segredo sobre o processo de impressão mecânica, sendo acusado de manter contato com as artes diabólicas e que o vermelho dos detalhes era sangue humano. Foi condenado à morte, mas recebeu ajuda do Rei Luis XI para fugir da prisão em segredo. Sua fuga foi atribuída ao Diabo que com ele tinha um pacto. Fust, Fusto ou Fausto vendeu sua alma ao Diabo.
A lenda tomou corpo, conectando-se com um Joahan Fausto, necromanta de Witemberg que recebeu existência literária através do gênio de Goethe.
♦ Por outro lado, o restrito círculo de letrados capazes de decifrar os caracteres misteriosos, e poderosas ordens de copistas e calígrafos alimentava essa superstição, resistindo à vulgarização dos livros impressos em quantidade. Protestam que essa é uma "arte negra" que tem como principal capitalista o Diabo, pois o Diabo é mecanicista e vulgarizador. O novo processo é uma "ars diabolica".
♦ No meio dessa desinformação, os gráficos. Trabalhadores numa arte nova, tão criativos que eram capazes de utilizar uma prensa de moer bagaço de uva, onde reuniam caracteres pacientemente talhados em madeira por artesões, pincelados com tinta vinda de Nanquim - nanopartículas de carvão de bambu estabilizadas com goma arábica - para prensarem sobre uma folha de pergaminho. Adaptando materiais e ferramentas, com as mãos nuas, errando e acertando, para emergir de suas oficinas negros de tinta. Os artistas da “Arte Negra”.
Mas o avanço das artes gráficas sobre a Europa é generalizado, não restando cidade que enfim não possua uma prensa. A "Arte Negra" deixou de ser segredo e perdeu sua magia.

Um comentário:

Manoel disse...

Sempre achei que a Arte Negra tinha a ver com a cor dos hábitos dos religiosos. Vivendo e aprendendo...