9 de ago de 2010

Curioso Uso da Urina na Tipografia do Século 18

No livro "Enterrem as Correntes" (Bury the Chains) de Adam Hochschild, o primeiro grupo de antiescravocratas se reúne na tipografia do Sr. James Phillips, na Rua George Yard, 2, em Londres. Era a tarde do dia 22 de Maio de 1787 e eram doze homens que iriam dar início ao primeiro movimento organizado em prol dos direitos humanos.
Autor preocupado em ilustrar a obra com detalhes sobre a época, faz uma descrição de como era o trabalho na tipografia.
"Os tipos estariam em bandejas inclinadas de madeira com compartimentos para as diferentes letras; os tipógrafos que compunham em linha reta letra por letra estariam trabalhando, no final do dia, sob a luz de velas de sebo, cuja fumaça, ao longo das décadas, escureceria o teto.
"Os impressores, operando manualmente uma prensa plana, pegariam as grandes folhas de papel de prensa, cada qual com muitas páginas impressas. e usariam um instrumento semelhante a uma vara para pendurá-las no alto, nas dúzias de varais, para a tinta secar. Em volta, nas laterais da sala, pilhas de folhas secas, o último livro contra a escravidão ou um panfleto dos quakers, estariam esperando ser dobradas ou encadernadas. E, finalmente, o mais característico de uma tipografia do Século XVIII: o seu cheiro.
"Para colocar tinta nos tipos, quando estavam na base plana da prensa em que era colocada a fôrma, os impressores usavam uma almofada de couro revestida de lã com um cabo de madeira. Devido à alta concentração de amônia, o solvente mais conveniente para limpar os resíduos de tinta que acumulavam nessas almofadas era a própria urina dos impressores. As almofadas eram mergulhadas em baldes de urina, em seguida espalhadas no chão ligeiramente inclinado para que os impressores andassem sobre elas quando trabalhavam, comprimindo-as para que o líquido escorresse."
Esse é relato do autor, que pode ser a mais pura verdade, mas chego a duvidar que acontecia na época da reunião, parecendo ser coisa de duzentos anos trás. Nunca se sabe!
Leiam o livro. É genial.

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